Empreendedorismo na era digital

Luciano Rego: “Não adianta estar na rede apenas”

Empreendedorismo na era digital
Micro e pequenos empresários itabiranos participaram, em setembro, do 1º Seminário de Tecnologia promovido pela Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita). O evento fez parte das ações do Plano de Desenvolvimento de Negócios da entidade (PDNI), que tem como objetivo apoiar o empresário, capacitá-lo e estimulá-lo à inovação constante.
 
O seminário contou com duas mesas redondas, com os professores Rafael Balbino (Unifei) e Fabrício Bittencourt (Funcesi), além de uma palestra com o consultor do Sebrae, Luciano Rego. Perspectivas de crescimento do mercado digital e as oportunidades e desafios da internet para as micro e pequenas empresas foram assuntos discutidos.
 
Luciano Rego, natural de Caruaru (PE), empresário em Brasília, é especialista em vendas pela internet e trabalha com consultoria e marketing digital. Antes de se tornar consultor do Sebrae, trabalhou 22 anos em multinacionais. Em entrevista a DeFato, falou sobre as perspectivas do comércio eletrônico.
 
Planejar para entrar na rede
Trouxe essa palestra, ‘Oportunidades digitais, você e sua empresa no topo’, para empreenderes da era digital. Em minhas apresentações, falo de todos os passos, desde a criação de um simples e-mail até as técnicas avançadas de marketing digital. São formas de as empresas se apresentarem na internet, seja através da criação de um domínio, um site, um blog, e medir o que está acontecendo. Porque não adianta estar na internet apenas, como a grande maioria das empresas. É preciso entrar de forma planejada. Muitas empresas apenas copiam alguma coisa que alguém já fez, mas não é bem por aí. Hoje tudo tem de ser bem trabalhado, com geração de conteúdo exclusivo para os clientes e prospects. É comum, nos cursos que dou, empresário virar para mim e falar: “Estou com 3 mil fãs no Facebook. E agora, o que eu faço?”. Eu digo: “Você devia ter pensado nisso antes”.
 
Sou usuário de internet desde o início, quando ainda se usava interurbano, em 1994. Tive a oportunidade de acompanhar todo o desenvolvimento, e hoje eu trabalho com isso. A internet vem mudando a forma de fazermos negócio, mas há duas coisas imutáveis na economia: o hábito de comprar e vender. O meio mudou, e é preciso se planejar para isso, mas a todo momento tem gente comprando e vendendo.
 
Normalmente quando a empresa procura uma agência de publicidade, ela quer vender mais. Entretanto, às vezes, a publicidade não pode resolver. Tem uma história de um cara que estava de saco cheio do trabalho e disse certa vez a um amigo ortodontista: “Cara, sua vida é que é boa. Você fica só apertando e afrouxando aparelho o dia todo”. O amigo respondeu: “Você que acha. 80% do que eu faço tenho de refazer porque estou mexendo com organismo vivo. Dia desses chegou aqui uma mãe com uma menina horrenda de feia, que não tinha problema nenhum nos dentes, e eu tive que, com toda a diplomacia, dizer que não havia nada o que fazer, mas sem ferir o ego da mãe, aquela esperança de melhorar a ‘lata’ da criatura”. E isso acontece com as empresas. A maioria delas que procuram propaganda está igual à mãe da menina. O problema não está nos dentes.
 
Os principais desafios
Todo mundo está na internet. De um jeito ou de outro. Mas para quem quer começar no comércio eletrônico, o desafio é se posicionar o mais rápido possível, porque os gigantes já estão posicionados. Se for colocar uma sapataria online, vai concorrer com Netshoes. Se for por uma livraria, aí sem chance. Tem Saraiva, Amazon, Cultura e outras que tornam a concorrência muito difícil. O segredo é encontrar um nicho. Se você for vender telefone celular, a chance de sucesso será muito baixa.
 
Agora há uma possibilidade, por exemplo, de o empresário daqui colocar uma sapataria online e abrir um diferencial em relação ao Netshoes, ao entregar, por exemplo, no mesmo dia. Ele pode mandar um “personal sapato” à casa do cliente oferecer outros modelos, enfim. Fazer algo diferente. Há, inclusive, um caso interessante no Brasil de uma moça que tem um sex shop online. E numa palestra minha ela disse que os clientes estavam pedindo consultoria. Não me pergunte detalhes, mas ela está dando essa consultoria. E tem muitos meios para isso: ir pessoalmente explicar como os clientes devem usar os produtos, ou por telefone, ou por videoaula. São realmente oportunidades infinitas. O empresário precisa atentar-se a elas para não ficar para trás.