Empresas brasileiras fazem negociações diretas com importadores para reduzir efeitos do Tarifaço
A cumulatividade tributária atinge duramente os bens manufaturados de alto valor
As empresas brasileiras estão renegociando diretamente com os compradores norte-americanos para dividir os custos da nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. Essa taxa extra começou a vigorar em 22 de julho de 2026 e afeta cerca de 18% de tudo que o Brasil vende para o mercado dos EUA.
Para não perder clientes históricos, os exportadores estão alterando os contratos e inserindo cláusulas que forçam os importadores nos EUA a absorver uma parcela desse reajuste.
Diante de um impacto estimado em US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 37,7 bilhões), o setor produtivo nacional precisou agir rapidamente:
Com a inclusão de novas regras comerciais onde o importador assume parte do imposto para garantir o abastecimento de suas cadeias de suprimento.
Com o acionamento de defesas jurídicas junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para isentar produtos específicos que não possuem concorrentes locais semelhantes.
Investimento recorde de mais de US$ 8,5 milhões em escritório de advocacia e relações governamentais com Washington para pressionar o Congresso norte-americano.
Estudos avançados de companhias para transferir fábricas, maquinários e linhas de montagem para países vizinhos das Américas que tenham acordos comerciais mais favoráveis com a Casa Branca.
Criação de subsidiárias ou galpões operacionais instalados diretamente dentro do território norte-americano para anular o caráter de importação.
Setores mais prejudicados e os poupados
A cumulatividade tributária atinge duramente os bens manufaturados de alto valor. O setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, enfrenta uma taxação combinada de até 37,5% na soma das tarifas impostas.
Principais atingidos: Etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, madeira processada, aço e açúcar orgânico.
Isenções estratégicas: Commodities cruciais como aeronaves, petróleo bruto, minérios, celulose, carne bovina, café e suco de laranja não foram afetados pelo novo decreto.
Enquanto o governo estuda medidas de apoio de curto prazo e adia as negociações bilaterais de grande escala para após os períodos eleitorais, analistas adiantam que o maior legado desse tarifaço será a redução forçada da dependência comercial do mercado americano através de busca de novos parceiros globais.