Enquanto o Brasil não se manifesta, mais sete países aderem ao Conselho de Paz de Trump

Trump afirmou que o trabalho do grupo pode se estender e abordar outros conflitos, além do território palestino

Enquanto o Brasil não se manifesta, mais sete países aderem ao Conselho de Paz de Trump
O Palácio do Itamaraty ainda não se manifestou sobre o convite de Trump- Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republican, formalizou convite a uma série de países para o “Conselho de Paz”, criado, em um primeiro momento, para supervisionar a situação na Faixa de Gaza como cessar-fogo, e uma proposta de reconstrução da área atingida por bombardeios israelenses.

Trump afirmou que o trabalho do grupo pode se estender e abordar outros conflitos, além do território palestino.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi também convidado a integrar o conselho, mas avalia com cautela sua inclusão no grupo.

Segundo informações, Lula teme a forma como foi concebido o grupo, com poder excessivo nas mãos do presidente norte-americano, a quem recentemente teceu duras críticas em evento, sugerindo que ele “queria governar o mundo”.

Lula optou por consultar alguns países e, nesta quinta-feira (22), conversou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, expressando satisfação no cessar-fogo em Gaza e sobre as perspectivas de reconstrução do território. Lula reiterou o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio.

Nesta quinta-feira (22), em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial, Trump oficializou a criação do conselho, ressaltando que “muitas coisas boas estão acontecendo” e que as ameaças à Europa, à América e ao Oriente Médio “estão realmente se acalmando. Há apenas um ano, o mundo estava em chamas”.

Embora inicialmente criado com o objetivo de por fim à guerra de dois anos entre Israel e o grupo terrorista Hamas e supervisionar a reconstrução local, o estatuto do conselho não menciona o território palestino, parecendo ter sido concebido para substituir as funções da Organização das Nações unidas (ONU).

A Arábia Saudita, porém, garantiu que o grupo de países de maioria muçulmana, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Qatar, endossou o objetivo de consolidar um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiando sua reconstrução e avançar para uma “paz justa e duradoura”.

Na quarta-feira (21), Trump afirmou a repórteres que o presidente russo Vladimir Putin havia aceitado o convite, mas Putin respondeu rapidamente que estava avaliando o convite.

Sobre Lula, Trump disse a jornalistas brasileiros, que “ele teria um grande papel na entidade. Gosto dele”.

Também o Papa Leão 14 recebeu o convite, mas o secretário de Estado do Vaticano , cardeal Pietro Parolin, disse que o pontífice precisaria de tempo para decidir.

Segundo o estatuto do Conselho de Paz, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo com amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente terão que desembolsar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões), que serão administrados por Trump.

Fazem parte do conselho executivo fundador:
Marco Rubio- chefe da diplomacia dos EUA
Tony Blair- ex-primeiro-ministro do Reino Unido
Steve Witkoff- enviado especial dos EUA papra a paz na Faixa de Gaza
Jared Kushner- genro de Trump
Ajay Banga- Presidente do Banco Mundial
Marc Rowan- magnata financista americano
Robert Gabriel- colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional.

Um alto funcionário da Casa Branca afirmou à Agência Reuters que cerca de 35 líderes mundiais já se comprometeram participar do Conselho da Paz, dentre os 50 convites enviados.

Na América do Sul, a Argentina e o Paraguai já aderiram ao conselho.

A França confirmou que não fará parte do grupo. A Alemanha, Reino Unido e Japão não se manifestaram publicamente de forma clara.

A presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, convidada, ainda não respondeu.

*Fonte: CNN/CBN/BBC/Portal Terra