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Entre a despedida e a esperança: a nova missão de Dom Marco Aurélio Gubiotti

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Nomeado pelo Papa Leão XIV como novo Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Marco Aurélio Gubiotti se prepara para assumir o novo desafio – com posse marcada para o dia 7 de março – com “serenidade”, “espírito de obediência” e profunda “consciência pastoral”. Transferido da Diocese de Itabira–Coronel Fabriciano, o arcebispo eleito reconhece que a missão foi acolhida como um ato de fé e confiança na Igreja, mesmo vivendo um momento de realização pessoal e pastoral em Itabira.

A ida do líder religioso para Juiz de Fora veio após o acolhimento do pedido de renúncia apresentado por Dom Gil Antônio Moreira, que deixa o governo pastoral da arquidiocese e passa à condição de arcebispo emérito. Em entrevista concedida ontem (26) à DeFato, Dom Marco Aurélio destacou que sua preparação para a nova missão passa, acima de tudo, pelo envolvimento humano e afetivo com a Igreja. Segundo ele, não é possível exercer o ministério sem criar vínculos reais com o povo. “Eu nunca consegui desenvolver bem um trabalho sem me envolver afetivamente. Acho que é preciso ter afeto”, afirmou.

Ao falar sobre a saída de Itabira, o arcebispo eleito reconheceu um “sentimento de perda”, comum na vida sacerdotal, mas vivido com maturidade. “Eu deixo aqui uma terra que eu aprendi a ser a minha”, afirma, ao se referir à sua atual Diocese. Dom Marco Aurélio compartilhou que, após aceitar formalmente a nomeação, iniciou um processo de preparação marcado pela escuta e pelo diálogo, onde conversas e reuniões com o colégio de consultores e com dom Gil Antônio Moreira têm o ajudado na compreensão das realidades e características da Arquidiocese de Juiz de Fora. Segundo o líder religioso, esse processo é vivido dentro da perspectiva da sinodalidade, conceito fortalecido pelo Papa Francisco, que propõe uma Igreja que caminha junta, equilibrando mudança e continuidade.

“Estou me preparando dessa forma. Escutando o Dom Gil, que tem sido um irmão muito fraterno e tem passado tudo aquilo que ele acha que precisa ser passado. Pela oração, rezando por aquela igreja, rezando pelos padres, pelos diáconos, pelo amado povo de Deus, pelas lideranças leigas, os religiosos consagrados e consagradas, e por aquela nova diocese, que vai entrando no meu coração, para que eu possa ser pastor de Deus”.

Com quase 13 anos de episcopado, dom Marco afirmou que leva para Juiz de Fora aprendizados significativos, especialmente no relacionamento com o presbitério e na liderança de processos. Outro aspecto, que segundo ele, foi fundamental de sua formação pastoral foi o contato com as pastorais sociais e com a realidade administrativa da Diocese de Itabira–Coronel Fabriciano. 

No bate-papo com a DeFato, o bispo destacou como experiência marcante a presidência da Irmandade Nossa Senhora das Dores (responsável pela gestão do hospital homônimo), que classificou como o maior desafio administrativo de sua trajetória. Para ele, essa vivência contribuiu não apenas para o crescimento pessoal, mas também para fortalecer sua capacidade de liderança e organização, que considera dons colocados a serviço da Igreja. 

“Um hospital que tem mais de 200 médicos, com mais de 1.200 colaboradores, que funciona 365 dias por ano, 24 horas por dia. É um “negócio” tremendamente desafiador que eu fui aprendendo, conhecendo e amando a obra que se faz ali”. Foto: Guilherme Guerra/DeFato.

Ao projetar sua chegada à arquidiocese, dom Marco Aurélio disse manter o mesmo espírito de quando chegou a Itabira: coração aberto, disposição para aprender e esperança no novo. Ele lembrou que não conhecia profundamente nenhuma das duas realidades quando foi enviado, mas vê nisso parte da beleza da vocação. “O bom da vida é ter sempre algo novo, um sonho, um novo projeto. Isso é viver”, refletiu.

Ciente da responsabilidade de liderar uma arquidiocese que reúne 37 municípios, dom Marco Aurélio se definiu como um “eterno aprendiz”, afirmando que todo aprendizado nasce da troca e da escuta. “Se Ele me chamou, Ele vai me dar a possibilidade de oferecer alguma coisa de bom também”, concluiu, demonstrando confiança e esperança na nova etapa de sua missão pastoral.

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