Ex-presidente disse que vai acabar com a Associação da Vila Paciência

Fim da associação

Ex-presidente disse que vai acabar com a Associação da Vila Paciência

A Vila Paciência de Cima já acabou. Agora é a vez da Paciência do Meio, que começa a ser demolida pela Vale. O objetivo é instalar um chamado cinturão verde para separar as áreas residencial da operacional das minas. Em breve será a vez da Paciência de Baixo, localizada na parte esquerda de quem segue no sentido Campestre-Pará.

O processo de demolição da vila atual começou em janeiro de 2008. Até agora, foram derrubadas 52 casas e restam ainda 65. Essas são informações da Vale, que contratou empresas para cada ação – negociar e jogar ao chão. A estratégia usada até então pela empresa é falar com os moradores por meio da Associação de Amigos da Vila Paciência em reuniões marcadas para o Centro Comunitário. Mas a de negociação é diferente: a empresa  utiliza a forma de negociação individual.

Recentemente, um grupo de moradores, a maioria da parte de baixo, ou seja, composta de pessoas que estão fora das negociações – porque as compras de imóveis são feitas aos moradores da Paciência do meio – tentou contratar um  grupo de advogados. O objetivo das seria mover ação civil para  obrigar a Vale a indenizar o conjunto e não comprar as unidades, como a empresa faz. Mas o grupo acabou se diluindo, considerando que havia, segundo um dos que assinariam a petição, uma pedida de honorários muito acima das possibilidades dos moradores.

Marchas contramarchas, reuniões e discussões, outros problemas internos da associação acabaram resultando em brigas internas que culminam agora com o abandono do presidente de suas funções. José Eduardo dos Passos Guerra, dirigente máximo da entidade, eleito para essa função, aposentado da Vale, declarou a DeFato Online o seguinte: “Vou acabar com a associação, ela não existe mais, falta dar baixa, não compensa mexer com isso”. Perguntado se o procedimento correto não seria entregar a outros membros da diretoria ou mesmo promover novas eleições, ele disse, taxativamente,  não. “Chegou uma cobrança de taxa de incêndio para pagarmos, ninguém quer ajudar, então o melhor é fechar as portas. Além de tudo, a desunião é total, cada um quer fazer o que pensa”.

Mas as portas qie seriam fechadas por Passos Guerra  não pertencem à Associação da Vila Paciência. Na verdade, a entidade utiliza as dependências do Centro Comunitário da Vila que, por sua vez, foi construído pela Igreja Católica.

A partir de agora está aberta a polêmica: os moradores da Vila Paciência vão permitir o fechamento de sua entidade, a única que tem poderes para defender os interesses dos moradores? Com a palavra cada os “pacientes” ou “impacientes” que resistem ainda na região.