Fechamento de banco gera pânico, filas e pedido de impeachment no Paraguai
O congelamento das contas bancárias da entidade aumentou a pressão sobre o governo Santiago Peña
O pânico se instalou entre os cerca de 3 milhões de clientes do banco digital Ueno após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de dissolução dessa instituição financeira. Em uma população entre 6,1 a 7 milhões de pessoas, o Ueno administra aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos no país.
Ao longo do dia, diversas autoridades bancárias do país divulgaram comunicados informando que seus aplicativos estavam apresentando problemas. Diante do receio em não conseguir efetuar o saque de suas economias, um grande número de pessoas se dirigiu às agências para essa finalidade.
O congelamento das contas bancárias da entidade aumentou a pressão sobre o governo Santiago Peña, que foi sócio do grupo proprietário do banco Ueno até março de 2025.
Diante do quadro de instabilidade financeira, Peña solicitou a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, e promulgou nesta quarta-feira, uma lei que permitirá a pessoas afetadas pelo congelamento das contas receber até quarenta salários mínimos mensais (3.044.000 guaranis- equivalente a aproximadamente R$ 2.800,00 dependendo da variação cambial) como fundos de garantia de depósitos em até cinco dias úteis.
O Banco Central paraguaio afirmou em comunicado que o sistema financeiro do país ‘mantém níveis adequados de solvência e liquidez”, negando outras possíveis intervenções.
Paralelo a isso, o Ministério Público do país imputou 27 pessoas pelo suposto vínculo com irregularidades financeiras no banco.
Além disso, 35 deputados da oposição apresentaram oficialmente um pedido de impeachment de Peña e seu vice, alegando conflito de interesses e cooptação do Estado; manipulação regulatória e desvios de fundos de aposentadoria; superação de limites de créditos para o Ueno e acobertamento institucional pelo Banco Central; indícios de enriquecimento ilícito; e afetação da confiança o sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistêmico.