Franquias de comida saudável crescem e exigem cuidados

Salada: a experiência do consumidor na compra é essencial para se destacar no mercado

Franquias de comida saudável crescem e exigem cuidados

Com níveis de obesidade cada vez maiores, os brasileiros estão se guiando por esses dois pilares também na hora de se alimentar. Uma pesquisa nacional, feita pela Fiesp com o Ibope, mostrou que quase 70% dos brasileiros estão acostumados a ler rótulos de alimentos e 32% fazem escolhas com base nos nutrientes que vão ingerir. Esta constante busca por uma alimentação mais equilibrada e saudável tem impulsionado o mercado de negócios e franquias. 

De olho nos consumidores que querem manter uma dieta equilibrada mesmo quando estão na rua, o Mixirica, rede de fast-food saudável que faz parte do grupo SMZTO Holding de Franquias, reformulou o layout das lojas e ampliou o cardápio. “Antes, 60% do cardápio era focado na alimentação equilibrada. Hoje, 99% dos pratos do cardápio são”, afirma Fred Loriggio, diretor de operações da rede.

Fundada em 2010, a rede hoje tem 100 unidades vendidas no país e vai abrir 15 lojas até o final do ano. A região Nordeste e o Rio de Janeiro são dois locais prioritários para a expansão. “Tem uma aceitação grande por saladas e sucos e durante o ano inteiro faz calor”, explica Loriggio.

Para abrir um restaurante da marca é preciso um investimento inicial de 149,9 mil reais e o prazo de retorno do capital investido é de 24 a 35 meses. Uma loja de rua precisa de uma área mínima de 70 metros quadrados.

Marcus Rizzo, especialista em franquias e sócio da consultoria Rizzo Franchise, afirma que trabalhar com marcas que adotam o conceito de alimentação saudável demanda atenção por parte do franqueado. “Esse tipo de operação demanda muito treinamento e de um acompanhamento rigoroso na produção”, afirma. 

No caso de marcas especializadas na venda de produtos naturais e saudáveis, Rizzo acredita que a experiência de compra do cliente é essencial para quem deseja se destacar no mercado.

Carlos Wizard Martins, presidente da Mundo Verde, acredita que este mercado está em alta e só tende a crescer. “O mercado é muito competitivo, mas a entrada de novos concorrentes não é tão simples porque eles precisam conhecer os fornecedores e atender as expectativas do cliente”, explica. A marca foi comprada pelo empresário, que criou o grupo Multi, em agosto desse ano.

Com um mix de 6 mil produtos, a rede conta com 335 lojas e a estratégia de expansão tem como objetivo alcançar 650 lojas em 2018 e um faturamento de 1 bilhão de reais. Neste ano, a receita do Mundo Verde deve fechar acima de 400 milhões de reais.

“Equipes bem treinadas e bem qualificadas rendem mais. A empresa que quiser se diferenciar no mercado tem que se qualificar. Não tem com contratar uma pessoa pronta, por isso é um processo de investir e formar”, afirma Martins. 

Uma loja de 60 metros quadrados da marca exige um investimento inicial de 280 mil reais e a taxa de franquia custa 55 mil reais. Cada unidade fatura, em média, 120 mil reais ao mês. Para Martins, o franqueado ideal tem que ter espírito empreendedor e estar à frente do negócio. 

Também atuando no segmento de alimentação saudável e venda de produtos naturais, a rede de franquias Internutri foi fundada em 2005, em São Paulo. No começo, a expansão era somente por franquias digitais, em que o franqueado recebe uma comissão ao vender produtos da marca. 

Segundo o diretor comercial da Internutri, Evandro Simongini, além deste modelo de negócio, o objetivo é abrir franquias físicas em São Paulo e depois expandir para outros estados. “Começaram a me cobrar por lojas. Algumas pessoas querem comprar o produto, mas não têm acesso à internet, outras querem ver o produto e levar na hora”, explica.

Em três anos ele espera estar em todas as capitais. O investimento inicial depende do tamanho da loja e pode variar de 120 mil a 405 mil reais. (Exame)