Freddie Mercury: 30 anos sem a voz mais poderosa do rock

Conheça a trajetória do homem que, à frente do Queen, trouxe vida nova ao cenário musical mundial

Freddie Mercury: 30 anos sem a voz mais poderosa do rock
Foto: Reprodução / Youtube

Há exatos 30 anos, o mundo chorava a perde de um dos maiores talentos que rock mundial já viu. Em 24 de novembro de 1991, aos 45 anos, Freddie Mercury, perdia a batalha contra o vírus da aids. O vocalista, pianista e principal compositor da banda inglesa Queen deixava uma lacuna sentida até hoje pelos fãs.

Na época, o preconceito contra os soropositivos era imenso. Os boatos insistentes dos tabloides britânicos, como o The Sun, já vinham noticiando durante todo aquele ano que Freddie Mercury tinha aids. Ainda assim, o astro só declarou oficialmente que era portador do vírus um dia antes de morrer.

Os sinais de que o vocalista do Queen, declaradamente homossexual, convivia com o vírus pareciam claros para os fãs. Primeiro, a banda não fazia turnês desde 1986. Segundo, nas raras aparições públicas, Freddie Mercury estava bem mais magro. E, por fim, nos dois clipes que foram feitos para promover o álbum Innuendo, as imagens eram em preto e branco e Freddie aparecia maquiado (These Are The Days Of Our Lives ) ou fantasiado (como em I´m Going Slightly Mad).

“Colocá-lo caracterizado era uma boa camuflagem. A maquiagem, a peruca, o preto e branco, ajudaram a esconder o fato de que Freddie já estava bem doente”, chegou a declarar, anos mais tarde, o baterista Roger Taylor.

No último álbum de estúdio do Queen, em que Freddie Mercury participou, os fãs consideraram a música “The Show Must Go On” uma despedida em vida. Afinal, alguns trechos do single diziam “O show tem que continuar / vou enfrentar com um sorriso / eu nunca vou desistir”.

Freddie Mercury no seu último clipe do Queen, para a música “These Are the Days of Our Lives”. Foto: Reprodução / Internet

O irlandês Jim Hutton, namorado de Freddie Mercury até os últimos dias, contou que o exame  que diagnosticou a doença foi feito em abril de 1987.

“Quando cheguei em casa, Freddie estava na cama. O resultado tinha acabado de chegar. Freddie estava com aids. ‘Se você quiser me deixar, eu vou entender’, ele me disse. Eu esperava por um milagre, um diagnóstico errado”, escreveu no livro “Mercury and Me”.

De Zanzibar para o mundo

Freddie Mercury nasceu em Zanzibar, atual Tanzânia, em 5 de setembro de 1946. Seu nome de batismo era Farrokh Bulsara. No seu último ano de vida, mudou-se com os outros três integrantes da banda para a pacata cidade suíça de Montreux para ficar próximo ao estúdio de gravações.

“Freddie dizia, ‘eu posso ir hoje por algumas horas’. E nós aproveitávamos para tirar o melhor dele. Ele dizia: ‘escrevam qualquer coisa, que eu canto’”, relembra o guitarrista Brian May, em entrevista ao documentário “Champions of the world”.

O Queen foi sucesso absoluto por duas décadas no cenário do pop rock. Desde que se uniram em 1971, Freddie Mercury, Brian May (hoje com 74 anos), Roger Taylor (72) e John Deacon (70 anos e atualmente afastado da cena musical) surpreenderam os críticos com um rock progressivo, cheio de nuances e experiências.

O quarteto era conhecido por suas misturas inusitadas, como o uso de harpa na versão original de “Love of My Life”; ou os vocais sobrepostos em “Somebody to Love”; e ainda, um trecho de ópera no meio de “Bohemian Rhapsody”. Nos anos 1980, percebendo a mudança no rumo da música, o Queen deixou de lado o rock e se aventurou no estilo disco. O álbum “Hot Space” era a cara das discotecas.

Mas, o reconhecimento veio mesmo quando o Queen flertou com a música pop. Os sucessos “I Want To Break Free” e “A Kind Of Magic” são obrigatórios em qualquer cover ou tributo à banda. Para mostrar sua versatilidade, o Queen ainda fez as trilhas sonoras para filmes, como “Flash Gordon” e “Highlander”.

No auge da forma, o Queen se exibiu no Brasil com dois shows no Morumbi, em março de 1981. Nesta época, Freddie já destoava da imagem dos demais vocalistas de bandas de rock: cabelos curtos, bigodão e sem camisa durante todo o show.

Um dos shows do Queen, no Rock in Rio, no Brasil. Foto: Luiz Pinto

Mas, foi no Rio de Janeiro, durante a primeira edição do Rock in Rio, que a banda alcançou seu recorde de público: mais de 250 mil pessoas em cada uma das duas noites, em 11 e 18 de janeiro de 1985. As composições do Queen eram tão populares no Brasil que o próprio Freddie Mercury ficou surpreso ao ouvir toda plateia, cantando a uma só voz. em um país que não se fala inglês, os versos da música “Love of  My Life”.

Post mortem

A morte de Freddie Mercury impediu a banda de continuar sua trajetória e de lançar hits que caíam no gosto popular a cada ano. O guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor tentaram, em vários momentos, ressuscitar a banda. Fosse em álbuns póstumos, fosse utilizando outro vocalista, como Paul Rodgers ou Adam Lambert.

Última aparição pública de Freddie Mercury, ao lado dos colegas de banda. Foto: Reprodução / Internet

A imagem que Freddie Mercury construiu no imaginário de toda uma geração sempre impede o total sucesso das empreitadas, já que as comparações são inevitáveis. O último grande sucesso, e que serviu para mostrar todo o esplendor do Queen para as novas gerações, acabou sendo o filme biográfico “Bohemian Rhapsody”.

Lançado em novembro de 2018, o filme traz o norte-americano Rami Malek dando vida à Mercury. Sua atuação foi tão perfeita e a caracterização tão fiel que ele levou o Oscar de melhor ator naquele ano, entre diversos outros prêmios.

Assim, o legado que fica de Freddie Mercury segue passando de geração em geração e encantando quem ainda está descobrindo um pouco sobre música. Confira o vídeo abaixo:

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