Governador vê avanço do crime organizado no país e promete reação mais dura em Minas

Simões afirmou que o estado enfrenta pressão do crime faccionado, mas disse que Minas seguirá sem espaço para organizações criminosas

Governador vê avanço do crime organizado no país e promete reação mais dura em Minas
Foto: Ramon Agostinho/DeFato Online

O governador Mateus Simões afirmou, nesta terça-feira (26), que Minas Gerais enfrenta pressão provocada pelo avanço do crime organizado no Brasil e prometeu uma reação mais dura das forças de segurança no estado. A fala ocorre em meio a operações recentes contra grupos criminosos em Belo Horizonte e no interior do estado. 

Nos últimos meses, o Aglomerado da Serra, a Pedreira Prado Lopes e a Zona da Mata estiveram no centro de ações policiais relacionadas à presença ou à tentativa de atuação de facções em Minas. Em janeiro, uma operação da Sejusp e da PMMG foi realizada para apagar siglas de sete facções locais ligadas a grupos nacionais no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. Ao comentar o cenário da segurança pública, Simões reconheceu a existência de uma pressão ligada à criminalidade faccionada, mas afirmou que o governo seguirá reagindo.

“Eu acho que a gente tem, obviamente, uma situação de recrudescimento da violência em Minas Gerais em virtude da tentativa de ingresso da criminalidade violenta faccionada. Não adianta a gente tentar tapar o sol com a peneira. O certo é que nós vamos continuar reagindo para garantir que a população de Minas Gerais permaneça em segurança”, afirmou.

Em maio, uma operação no Aglomerado da Serra prendeu cinco pessoas e cumpriu 36 mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, a ação foi motivada por publicações que impunham regras a moradores da Vila do Pau Comeu, região apontada como alvo de disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro.

Apesar do alerta sobre o avanço das facções no país, o governador afirmou que Minas ainda não teria áreas dominadas por esses grupos. Segundo ele, a atuação do Estado tem como objetivo impedir que organizações criminosas se consolidem em território mineiro.

“Nós temos um aumento da presença do crime organizado, mas Minas Gerais é onde eles ainda não conseguiram dominar território. Nós estamos passando por um aumento do crime organizado no Brasil. Em Minas eles podem se preparar, porque a resistência vai ser séria e cada vez mais séria a partir daqui”, declarou.

Outro ponto citado pelas forças de segurança é a chamada governança criminal, termo usado para descrever o controle exercido por organizações criminosas sobre territórios e moradores. Na Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte, a Operação Elo Quebrado terminou com sete pessoas presas, 17 mandados de busca e apreensão cumpridos, apreensão de armas, drogas e veículos ligados ao tráfico, chegando a influenciar a dinâmica da comunidade e o direito de ir e vir dos moradores.

Fora da capital, Minas também registrou operações recentes contra facções, como a terceira fase da Operação Ícaro cumpriu mais de 200 mandados em Juiz de Fora, Eugenópolis, Matias Barbosa e no Rio de Janeiro. A ação teve como alvo a estrutura do Comando Vermelho na Zona da Mata e terminou com 49 pessoas presas e R$8,4 milhões em bens e valores bloqueados.

Simões relacionou o avanço das facções a uma dificuldade nacional de enfrentamento ao crime organizado. Na avaliação dele, os estados passaram a assumir maior protagonismo diante da falta de uma política federal mais efetiva para o tema.

“Nós temos um aumento da presença de facções no Brasil, porque nós temos um governo federal que está sentado em cima do problema há anos. A verdade é que nós estamos há 20 anos assistindo o crescimento do crime organizado no país, sem que o governo federal tenha colocado de pé uma política pública de combate a esses terroristas que frequentam as nossas ruas”, declarou.

Simões disse que Minas enfrenta um problema histórico de falta de efetivo na Polícia Civil, especialmente no número de delegados e investigadores. Segundo ele, o estado tem cerca de 7 mil policiais civis, quando precisaria de ao menos 11 mil. Na avaliação do governador, a limitação é estrutural e esbarra em restrições legais e fiscais. Ele afirmou que pretende buscar uma saída para ampliar o efetivo, inclusive no campo judicial, diante do que classificou como entraves para novas contratações.

O governador também citou a posição geográfica de Minas Gerais como um desafio para a segurança pública. Segundo ele, o estado sofre pressão por fazer divisa com unidades da federação que enfrentam cenários complexos de criminalidade. Simões mencionou o trânsito de traficantes e armas pelo território mineiro e afirmou que as forças estaduais seguirão atuando para impedir esse avanço.

A coletiva ocorreu após a posse da coronel Cleide Barcelos como nova comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela substitui o coronel Frederico Otoni Garcia, que se transfere para a reserva. A solenidade também marcou a posse do coronel Sandro Vieira Corrêa na chefia do Estado-Maior da corporação.