Grazi Cachapuz propõe reorganização sindical, transparência e fortalecimento da classe na disputa pelo Sintsepmi
Na sua avaliação, a ausência de ações efetivas do Sintsepmi em momentos considerados decisivos, foi o estopim para formalizar a candidatura

A disputa pela nova mesa diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) terá a Chapa 3 encabeçada por Graziele Vieira Cachapuz Machado. Psicóloga da Secretaria Municipal de Assistência Social, ela concorre ao lado de Cláudia Moura de Souza (Educação), candidata a vice-presidente, e Tânia Moreira Couto Germano (Saúde), que disputa o cargo de primeira-secretária. A proposta central do grupo é reorganizar o sindicato por meio de participação efetiva dos servidores, combate a práticas de assédio e maior transparência na gestão sindical.
Servidora pública há 12 anos, Graziele construiu sua carreira na assistência social, atuando como psicóloga. Desde 2022 integra a vigilância socioassistencial, setor responsável pela avaliação e qualificação dos serviços ofertados pelo Sistema Único de Assistência Social. A ligação com movimentos sociais, porém, antecede sua vida profissional. Participou de diretórios estudantis, é atuante em movimentos de classe e integra, até dezembro, o Conselho Fiscal do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais. Essa trajetória, segundo ela, consolidou a percepção de que o sindicato é patrimônio dos trabalhadores e só faz sentido “se for ocupado e construído por eles”.
Na sua avaliação, a ausência de ações efetivas do Sintsepmi em momentos considerados decisivos, como a recente greve municipal e revisões do Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCSV) foi o estopim para formalizar a candidatura.
“Percebi que, quando o sindicato não atua, quem perde é o servidor. Faltou organização, faltou resposta e isso nos custou avanços que poderíamos ter conquistado”, afirma.
Principais propostas
A Chapa 3 define como eixo prioritário a mobilização da categoria. Graziele sustenta que nenhuma conquista trabalhista é possível sem servidores articulados, formados politicamente e capazes de defender seus direitos. Entre os compromissos apresentados, estão a criação de uma “Escola Sindical”, um espaço permanente de formação para o entendimento das leis trabalhistas, políticas públicas e instrumentos de defesa coletiva.
Em entrevista à DeFato, a candidata também afirmou que hoje há dificuldade de acesso a informações básicas, como lista de sindicalizados e convocação para assembleias, e por isso quer maior transparência no Sintsepmi. O combate ao assédio moral e reorganização das relações de trabalho também é um tópico central das suas propostas, onde segundo Graziele, práticas de assédio são recorrentes na administração pública, muitas vezes naturalizadas pela falta de preparo das chefias.
A psicóloga afirma que o Sintsepmi se tornou um espaço onde divergências não são bem-vindas, o que, na sua avaliação, enfraquece a vida sindical e afasta trabalhadores. A chapa pretende construir um ambiente onde crítica, debate e pluralidade não apenas sejam aceitos, mas estruturantes.
“Nós não queremos ser donos do sindicato. Queremos devolvê-lo aos servidores”, resume Graziele.

Diálogo com a prefeitura e continuidade das pautas da greve
Recentemente, os servidores públicos de Itabira estiveram em greve. A paralisação geral estava ocorrendo após alterações do Executivo no benefício do cartão-alimentação dos servidores, que passou a ser concedido com base em faixas salariais, e pelo aumento do desconto do plano de saúde – que subiu de 3% para 4%. Mesmo após negociações e reuniões de representantes do Sintsepmi, funcionários públicos e a prefeitura, ficou definido que, no momento, tais mudanças serão mantidas.
A partir daí também foi instalada uma mesa de discussão permanente entre a prefeitura e o sindicato, onde segundo o secretário de Administração, Paulo Henrique Gomes, “o ambiente tem sido de respeito entre as partes, com o objetivo de estabelecer um canal duradouro de diálogo”. Questionado sobre o escopo das negociações, o secretário explicou que, em um primeiro momento, questões econômicas (como vale-alimentação e plano de saúde) não estão na pauta, mas poderão ser discutidas posteriormente. “No momento, o foco está em temas como condições de trabalho, possibilidade de home office em setores específicos e outras melhorias que não envolvam necessariamente aspectos financeiros”, disse.
A candidata reconhece que uma das grandes missões será a continuidade da mesa de negociação permanente, na qual ela classifica como uma conquista obtida durante a paralisação dos servidores. Embora a gestão municipal tenha declarado que temas como o retorno do cartão alimentação e a revisão do plano de saúde não serão retomados, Graziele afirma que a pauta segue viva.
“Não houve solução, houve interrupção. A pauta permanece porque não existe justificativa técnica ou financeira para retirar direitos. O que houve foi uma escolha política, e isso precisa ser enfrentado”, argumenta.





