“Hora do Breaking” transforma realidades e leva cultura hip hop para bairros e escolas de Itabira
Para além de ensinar passos de dança, o projeto criado pelo rapper Thiago SKP em parceria com o b-boy Keiron, trabalha valores como respeito, coletividade, disciplina e pertencimento
A cultura hip hop tem mudado vidas dentro das escolas e comunidades periféricas de Itabira. Por meio da dança, da música e da expressão corporal, o projeto “Hora do Breaking” vem se consolidando como uma ferramenta de transformação social para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Idealizado pelo rapper Thiago SKP e conduzido nas aulas pelo professor e b-boy Rafael Keiron, o projeto leva a força do breaking como instrumento de inclusão, autoestima e formação cidadã.
Para além de ensinar passos de dança, o Hora do Breaking trabalha valores como respeito, coletividade, disciplina e pertencimento. Segundo Thiago SKP, o hip hop sempre foi visto por ele como um caminho de mudança social e o breaking, um dos elementos desta cultura, representa uma forma de poesia corporal, capaz de desenvolver tanto o físico quanto o emocional dos participantes. A proposta do projeto vai além da prática artística e busca formar cidadãos e futuras lideranças comunitárias.
“A gente não vem com a ideia de criar seguidores, mas de formar novos líderes”, afirma o rapper. “Nossa ideia é formar pessoas que vão reivindicar, correr atrás e fazer a diferença dentro da comunidade”.
Na Escola Municipal Marina Bragança de Mendonça, no bairro Santa Marta, o Hora do Breaking já integra a grade curricular do ensino em tempo integral. O projeto já está no terceiro ano de atividades e caminha para formar seus primeiros monitores. A expectativa é que, no próximo ano, alguns alunos passem também a atuar como professores dos módulos iniciais. Para Thiago SKP, os resultados do projeto já aparecem no cotidiano das famílias. Segundo ele, muitos pais relatam mudanças de comportamento dos filhos dentro de casa.
“A gente recebe muita mensagem de pais falando o quanto eles mudaram dentro de casa. Isso para nós vale mais do que qualquer prêmio”, destacou.
A iniciativa é realizada em parceria com a Associação Crianças do Amanhã (ASCA) e a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL), chegando atualmente a sete núcleos da cidade, entre eles Santa Marta/Monsenhor José Lopes, Gabiroba, Santa Ruth, Pedreira e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
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Quem também acompanha de perto essa transformação é o b-boy Keiron, professor responsável pelas oficinas. B-boy hop há 18 anos, ele conta que sua própria trajetória foi construída dentro de projetos sociais. “Eu vim de projeto social também. O break fez diferença na minha vida e eu sou prova viva disso”, contou.
Keiron relembra que começou no breaking ainda jovem e encontrou na cultura urbana um caminho de pertencimento, resistência e oportunidade. Hoje, ele faz questão de levar essa experiência para dentro das periferias. “Esses são os lugares onde eu prefiro estar trabalhando, porque é onde precisa de arte, cultura e lazer”, afirmou.
Além do aprendizado técnico, o professor destaca que o breaking também é diversão, convivência e construção de identidade. “É um universo que só quem dança sabe. Ali é o nosso momento”, disse.
Projeto já faz parte da grade escolar
Segundo Deise Caetano, a diretora da Escola Municipal Marina Bragança de Mendonça, o impacto do projeto é perceptível no comportamento e no desenvolvimento dos alunos. “É uma proposta inovadora que traz para os alunos algo que já faz parte do convívio deles. A gente integra o que eles aprendem dentro da escola com aquilo que eles gostam”, explicou.
A diretora destaca que as oficinas têm contribuído diretamente para elevar a autoestima das crianças e adolescentes, além de fortalecer o vínculo entre escola e comunidade. “A comunidade sente que faz parte da escola, e isso é muito importante”, afirmou.
Ainda segundo representante escolar, a dança também contribui para o desenvolvimento pedagógico e social dos estudantes. “Melhora a coordenação motora, a consciência corporal e o trabalho em conjunto. Eles aprendem a respeitar o tempo do outro e entendem que não estão sozinhos”, destacou.
Para Thiago SKP, o projeto representa a oportunidade de fazer com que crianças e adolescentes das periferias tenham voz e protagonismo.
“Enquanto os leões não aprenderem a contar história, os caçadores serão glorificados. Nossa ideia é que esses leões aflorem dentro deles e façam a própria história”, concluiu.





