Idosa de 87 anos é despejada de apartamento onde vivia há 70 anos

Após anos de disputa judicial, a polícia cumpriu a ordem de despejo na quarta-feira (23)

Idosa de 87 anos é despejada de apartamento onde vivia há 70 anos
Idosa de 87 anos foi despejada na quarta-feira(23)- Foto: Reprodução/Redes Sociais

O despejo da espanhola Maria del Carmen Abascal, conhecida como Maricarmen, de 87 anos, comoveu a Espanha e se tornou mais uma evidencia da crise habitacional em Madri.

A idosa foi retirada em 23 de setembro de 2026, do apartamento de 92m² localizado no bairro do Retiro, uma das áreas mais valorizadas da capital espanhola, onde ela vivia há 70 anos, desde 1956.

O imóvel foi alugado pelo pai de Maricarmen em 1956 e, após a morte dos pais, o contrato foi transferido para ela em 2005, mantendo as condições de uma renda antiga, na qual ela pagava 500 euros mensais.

Em 2018, o prédio foi adquirido por um fundo de investimento imobiliário.

Anos depois a empresa Urbagestion Desarrollo e Inversión SL, a nova proprietária, aumentou o valor do aluguel para a renovação para 2.650 euros (cerca de R$ 15,6).

Como Maricarmen recebe uma aposentadoria de cerca de 1300 a 1400 euros, o novo valor superava em muito a sua renda única.

Ela também havia recusado um proposta para a compra do imóvel por 247 mil euros por não dispor desse valor.

Após anos de disputa judicial, a policia cumpriu a ordem de despejo na quarta-feira (23), após três tentativas anteriores sem sucesso.

Ela teve somente meia hora para deixar o imóvel.

O caso gerou forte repercussão internacional, mostrando os detalhes da remoção forçada e o impacto da especulação imobiliária.

Cerca de 500 ativistas e vizinhos ligados ao Sindicato dos Inquilinos acamparam em frente ao prédio na tentativa de impedir a entrada das autoridades, com a força policial precisando desmantelar o bloqueio para cumprir a remoção.

Com severas dificuldades de locomoção, a idosa precisou ser retirada de maca e levada de ambulância a um hospital para avaliação médica antes de ser acolhida em casa de familiares.

O caso chegou à ONU. O Relator Especial para o direito à habitação, Koldo Casla, fez duras críticas à decisão do tribunal de priorizar a rentabilidade financeira em detrimento do direito humano à moradia de uma idosa em vulnerabilidade.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro
Sánchez, classificou o episódio como uma “tragédia social inaceitável”.

A proprietária do imóvel recusou uma proposta feita por uma escritora, que se ofereceu para pagar a diferença entre o aluguel antigo e o novo valor, além de possíveis débitos.

O Ministério da Habitação da Espanha declarou ainda que a empresa rejeitou uma proposta do Casa 47, órgão público que pretendia compara o apartamento.

*Fonte: O Globo/G1