Igreja acredita na inocência de padre

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade, do bairro Campestre, concedeu uma entrevista à imprensa na tarde desta segunda-feira e defendeu o padre Márcio Soares das acusações de abuso sexual. O Vigário-Geral da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, Francisco Guerra, e a advogada que cuida do caso, Carla Alexandra, disseram que acreditam na inocência do padre e que […]

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade, do bairro Campestre, concedeu uma entrevista à imprensa na tarde desta segunda-feira e defendeu o padre Márcio Soares das acusações de abuso sexual. O Vigário-Geral da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, Francisco Guerra, e a advogada que cuida do caso, Carla Alexandra, disseram que acreditam na inocência do padre e que o desejo dele, assim como o da igreja, é que as investigações sejam levadas às ultimas consequências.
 
O caso envolve um garoto de 11 anos que sofre de problemas mentais. O registro de Boletim de Ocorrências aconteceu no sábado, 22 de maio, quando a criança foi atendida no Pronto-Socorro Municipal sob a suspeita de abuso sexual. Segundo o hospital, o paciente entrou às 22h35 do sábado e saiu às 8h45 do domingo, 23. Os exames médicos, entretanto, não foram concluídos.

O Conselho Tutelar também acompanha o caso e vem prestando orientações à família desde abril deste ano, segundo o conselheiro Marconi Drummond.

 
Igreja
 “A igreja não está disposta a fugir deste debate, sobretudo deste aspecto que envolve problemas graves de seus membros, ou de pedofilia que vem sendo apresentado na mídia. (…). Ninguém pode ser condenado e julgado antes de os fatos serem apurados. Estamos aqui com toda a traquilidade para abordar este assunto”, garantiu padre Francisco.
 
A advogada Alexandra disse que não daria informações detalhadas acerca do caso, por se tratar de uma investigação sigilosa, que envolve um menor. Mas também assegurou que acreditava, com convicção, na inocência de padre Márcio. “Estamos impedidos de dar declaração acerca da investigação pela própria natureza do caso. (…) Mas vale aquela máxima: quem não deve, não teme”, ressaltou a advogada.
 
Padre Francisco disse que há um grande ponto de interrogação acerca do caso. Segundo seus argumentos, não se sabe se houve ou não o crime, ou por quem foi praticado. A respeito do Boletim de Ocorrências, registrado na ocasião em que a criança foi atendida no Pronto-Socorro, Alexandra disse que se trata de uma informação unilateral e não conclusiva. Portanto, só o fim das investigações para colocar um fim à situação, e, até lá, padre Márcio continua na igreja.
 
Polícia
A delegada responsável pelo caso, Danúbia Soares, também falou com a imprensa após o depoimento do padre na Delegacia de Polícia Civil, no bairro Campestre, nesta tarde. Ela contou que o acusado negou todos os fatos e reafirmou que nunca teve contato pessoal com o adolescente. O garoto também prestaria depoimento junto do responsável, além de outros possíveis envolvidos, citados por ele, se a polícia julgar necessário.
 
Segundo Danúbia, o resultado do exame laboratorial, que será feito em Belo Horizonte, será importante para a conclusão da investigação e explicitação dos fatos. A expectativa é que, em até 30 dias, o exame seja concluído. O material já foi recolhido e enviado ao Instituto Médico Legal (IML) da capital.
 
 
Vizinha
Uma vizinha da família do adolescente disse que a criança contava para todos da rua que tinha intimidades com o padre. Segundo ela, o garoto dava detalhes dos momentos em que passava em companhia do pároco e dizia não se importar. Outros vizinhos, na versão dela, já teriam visto o padre trazer a criança em casa de carro. “Todo mundo sabe disso aqui na rua. Ele dizia que andava de carrão com o padre”, citou.