Índice de infestação do Aedes aegypti está quatro vezes acima do aceitável em Itabira
Levantamento da Secretaria Municipal de Saúde indica números preocupantes e aponta os principais criadouros do mosquito Aedes aegypti em Itabira

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, divulgou, nesta segunda-feira, 17 de janeiro, o primeiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2017. E os números não são bons. De acordo com o documento, o percentual de infestação predial do mosquito transmissor da dengue, zika, chikungnya e febre amarela está quatro vezes acima do que é considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O limite preconizado pelas autoridades em saúde é de 1% de infestação. O índice em Itabira chega a 4,3%, sendo que em álbuns bairros, com situações mais graves, ultrapassa 16%. Os dados foram coletados entre os dias 9 e 13 de janeiro e servem também para direcionar os agentes da Secretaria de Saúde para os principais criadouros.
Números e incidência
Até o dia 13 de janeiro foram pesquisados 1.926 domicílios itabiranos. Em 83 foram notificados focos do Aedes. Segundo o Liraa, a situação mais grave é a do bairro Ribeira de Baixo, onde o índice de infestação foi de 16,66%, seguido pelos bairros Barreiro, Eldorado e Santo Antônio, ambos com 14,28%. Os bairros Bethânia e São Francisco foram verificados com 13,33% no índice de infestação e o Ribeira de Cima com 13,3%. Os bairros Juca Rosa (11,9%), Santa Marta (11,36%), Clóvis Alvin II (11,11%) e Clóvis Alvin I (10%) também estão em situação grave.
Já os bairros São Pedro (9,8%), Abóboras (9%), Bela Vista (8,21%), Novo Amazonas (8,16%), Santa Ruth (7,89%), Jardim Gabiroba (6,84%) e a Estação Rodoviária (8,33%) foram notificados com risco de surto, como explicou Thereza Cristina Oliveira Andrade, superintendente de Vigilância em Saúde. Na mesma situação, estão os bairros Nossa Senhora das Oliveiras (5,66%), Hamilton (5,26%), Vila São Geraldo (4,54%), Madre Maria de Jesus (4%) e João XXIII (4%).
Os bairros Santa Tereza (3,84%), Machado (3,84%), Amazonas (3,7%), Pedreira (3,52%), Bálsamos (3,44%), Fênix (3,44%), Colina da Praia (2,94%), Vila Piedade (2,77%), Praia (2%), Caminho Novo (1,78%) e Gabiroba (1,36%), encontram-se em situação de alerta, informou Thereza Andrade. “Os bairros não listados no Liraa encontram-se abaixo do índice. Portanto, em situação satisfatória”, afirma a superintendente.
Criadouros do mosquito
O Liraa mensurou também a situação de criadouros do Aedes aegypti no município. O documento mostra que 29,7% dos focos foram encontrados em depósitos móveis – vasos, frascos, pratos, recipientes de desgelo, bebedouros em geral, pingadouros e materiais de construção civil. Em materiais de depósitos domésticos – barris, tanques, tambores etc – foram encontrados 28,6% de criadouros. Já em depósitos fixos – borracharias, hortas, calhas, sanitários sem uso, piscinas não tratadas, fontes ornamentais, floreiras de cemitério, cacos de vidro em muros e toldos – foram achados 15,4% de berçários do mosquito. Mesmo índice (15,4%) foi encontrado em recipientes plásticos, garrafas, latas, sucatas em locais abertos e ferros velhos.
Mais números: 5,5% de criadouros foram encontrados em pneus e câmaras de pneus; 3,3% em depósitos naturais – bromélias e buracos em árvores e rochas e, 2,2% foram achados em caixas localizadas em lugares elevados – caixas d'águas destampadas.
De acordo com Thereza Andrade, o grande problema da dengue acontece neste período. “Estamos no início do verão e no período das águas. Os locais em que os ovos foram depositados entram em contato com a água e todo o ciclo do mosquito começa”, informa. Ainda segundo ela, “a população deve permanecer alerta para identificar, eliminar os focos e ficar atenta aos primeiros sintomas da doença para procurar a unidade de saúde mais próxima”.