Inhotim celebra 20 anos com novas obras conectando arte, natureza e memória em Minas Gerais

Situado entre áreas de Mata Atlântica e Cerrado, o museu ocupa cerca de 140 hectares de visitação e abriga aproximadamente 1.862 obras de mais de 280 artistas de diferentes países

Inhotim celebra 20 anos com novas obras conectando arte, natureza e memória em Minas Gerais
Foto: Giovanna Victoria/DeFato

O Instituto Instituto Inhotim iniciou neste fim de semana as comemorações pelos seus 20 anos com a inauguração de três novas obras que ampliam o diálogo entre arte contemporânea, natureza e história. Localizado em Brumadinho, o espaço é reconhecido como o maior museu a céu aberto da América Latina e reúne um dos mais importantes acervos artísticos e botânicos do país.

As novas instalações apresentadas ao público são Contraplano, da artista Lais Myrrha, Dupla Cura, de Dalton Paula, e Tororama, assinada por Davi de Jesus Nascimento. As obras passam a integrar o acervo permanente do instituto e marcam o início das ações comemorativas do aniversário.

Segundo a diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, as novas instalações reforçam a proposta do museu de unir experiências artísticas, ambientais e educativas. Ela destaca que cada trabalho dialoga com o território, com a paisagem e com temas contemporâneos, ampliando a narrativa construída ao longo das últimas duas décadas.

Escultura monumental dialoga com mineração e paisagem

Instalada em um dos pontos mais altos do instituto, Contraplano apresenta uma estrutura monumental inspirada em construções modernistas, fazendo referência a um edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

A obra utiliza concreto armado e aço inoxidável e se integra visualmente à paisagem ao redor, incluindo áreas verdes e fragmentos de mineração visíveis na região. A proposta artística sugere reflexões sobre arquitetura, território, transformação ambiental e exploração mineral.

Exposição reúne mais de 100 trabalhos sobre ancestralidade

Na Galeria Mata, uma das primeiras edificações do Inhotim, a mostra Dupla Cura reúne cerca de 120 obras de Dalton Paula, entre pinturas, fotografias, vídeos e instalações. A exposição aborda memória, ancestralidade e referências à cultura afro-brasileira.

A curadoria destaca que o projeto propõe uma reflexão espiritual e coletiva, conectando identidade individual e pertencimento comunitário. Para o artista, revisitar obras produzidas ao longo de diferentes momentos da carreira permite construir um olhar entre passado, presente e futuro.

Instalação homenageia o Rio São Francisco e memórias familiares

Na Galeria Nascente, a instalação Tororama mergulha em referências ligadas ao Rio São Francisco e às origens do artista Davi de Jesus Nascimento. O trabalho reúne pinturas, vídeo e carrancas produzidas pelo artesão Mestre Expedito.

Inspirada em elementos da cultura ribeirinha, a obra dialoga com memórias familiares, espiritualidade e o cotidiano das comunidades às margens do rio. O nome da instalação faz referência ao conto A Terceira Margem do Rio, do escritor João Guimarães Rosa.

Inhotim reúne arte, biodiversidade e turismo cultural

Criado a partir de uma fazenda idealizada pelo empresário Bernardo de Mello Paz, o Inhotim foi aberto ao público em 2006 e se consolidou como um dos principais destinos culturais do Brasil.

Situado entre áreas de Mata Atlântica e Cerrado, o museu ocupa cerca de 140 hectares de visitação e abriga aproximadamente 1.862 obras de mais de 280 artistas de diferentes países. O espaço também mantém um jardim botânico com milhares de espécies raras, reforçando sua proposta de integração entre patrimônio ambiental e produção artística.

*Com informaçõeS: Agência Brasil