IPVA: fim do ano traz dúvidas na compra ou venda de usado

Todos os anos, o mercado de usados vive uma espécie de impasse na maioria dos estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O motivo responde por quatro letras: IPVA. Pode parecer pouco, mas o pagamento desse imposto no início de cada ano começa a afetar o mercado já a partir […]

Todos os anos, o mercado de usados vive uma espécie de impasse na maioria dos estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O motivo responde por quatro letras: IPVA. Pode parecer pouco, mas o pagamento desse imposto no início de cada ano começa a afetar o mercado já a partir de novembro. De um lado, consumidores sem pressa, que preferem adiar a compra do usado para o ano seguinte, já com a documentação em dia. Do outro, comerciantes que querem abater o valor do imposto do carro oferecido na troca. As taxas mais elevadas, entre 3% e 4% do valor do veículo, são praticadas nos estados da região Sudeste, exceto o Espírito Santo. Isso sem falar de outros gastos atrelados, como seguro obrigatório e taxa de licenciamento.

“Num carro de R$ 20 mil, são R$ 800 de IPVA, num de R$ 50 mil, são R$ 2 mil. Para quem faz contas na hora da troca, essa diferença pode ter peso, sobretudo num mercado onde hoje há tanta oferta e baixa valorização”, afirma César Batista, dono da tradiconal loja de usados Green Car, na zona norte da capital paulista. “Sem dúvida atrapalha os negócios, e dura até março, data limite do pagamento da última parcela do IPVA”, concorda Marco Borrs, gerente do programa Audi Qualified (vendas de seminovos certificados).

Segundo Borrs, em outubro alguns comerciantes começam a abater o valor do imposto na cotação do carro usado dado na troca por um modelo 0 km. Isso irrita alguns clientes, que normalmente já acham que seus carros são desvalorizados na hora da troca. “Pior que isso é quando o comerciante se recusa a receber um usado como parte do pagamento, alegando estar com o estoque cheio”, diz Borrs.

Para o presidente da Assovesp (associação dos comerciantes paulistas de veículos usados), George Assad Chahade, o problema do IPVA na virada do ano não chega a afetar tanto a demanda, mas complica as negociações e obriga os comerciantes a ter mais jogo de cintura. “Tanto o comerciante quanto o consumidor precisam ceder em alguma coisa; talvez negociar uma das três parcelas do IPVA. O que não pode é só um dos lados querer sair ganhando”, acredita. “Pior do que o IPVA no começo do ano é o valor estipulado pelo governo para os usados. Vamos ver se agora eles percebem que os usados desvalorizaram demais em função da grande oferta, e que as tabelas de cotações não refletem a realidade do mercado.”

Para Borrs, uma solução interessante seria pulverizar o pagamento do IPVA ao longo do ano, atrelado à data de licenciamento, como se faz em estados como Bahia e Paraná. “Cada final de placa teria o vencimento do IPVA em um mês, o que acabaria com esse compasso de espera que ocorre a cada virada de ano.”

A dica para quem for comprar é barganhar bastante e tentar o abatimento (pelo menos parcial) do IPVA 2010

No ano passado, em meio à crise financeira, esse problema foi especialmente sensível, segundo César Batista. “A falta de crédito afetou a venda de usados, os preços caíram, e muita gente desistiu de trocar de carro. Até a venda de novos foi prejudicada, pois as revendas tinham muito estoque de usados, e não queriam aceitar outros na troca por um 0 km. Assim, a iminência do IPVA foi mais um ingrediente para esfriar o mercado”. O pior é que não há expectativa de os governos estaduais mudarem as datas de vencimento. “Desde os anos 80 é assim, o governo estadual quer arrecadar o mais cedo possível”, afirma Chahade.

Para este ano, com a crise amainada, os comerciantes não esperam a paradeira que aconteceu no ano passado. Mas o mercado continua bastante desfavorável a quem quer vender seu usado, devido à oferta crescente. A dica para quem for comprar é barganhar bastante e tentar o abatimento (pelo menos parcial) do IPVA 2010. Para quem está vendendo, a recomendação é não se prender demais às tabelas de cotações – em regra supervalorizadas. É preciso ceder um pouco, sobretudo nessa época do ano que antecede a enxurrada de