IR menor deve estimular participação nos lucros

  A redução do Im­posto de Renda sobre a Partici­pação de Lucros e Resultados (PLR), anunciada pelo gover­no federal nesta segunda-feira, 24 de dezembro, vai sig­nificar uma economia consi­derável para o bolso do traba­lhador, de acordo com os cál­culos do tributarista Ilan Gorin. Segundo o especialista, a medida deve estimular mais empresas a conceder o benefí­cio a seus empregados. O go­verno isentou de IR os ganhos com PLR de até R$ 6 mil e re­duziu as alíquotas em várias faixas. As centrais sindicais rei­vindicavam […]

 

A redução do Im­posto de Renda sobre a Partici­pação de Lucros e Resultados (PLR), anunciada pelo gover­no federal nesta segunda-feira, 24 de dezembro, vai sig­nificar uma economia consi­derável para o bolso do traba­lhador, de acordo com os cál­culos do tributarista Ilan Gorin. Segundo o especialista, a medida deve estimular mais empresas a conceder o benefí­cio a seus empregados. O go­verno isentou de IR os ganhos com PLR de até R$ 6 mil e re­duziu as alíquotas em várias faixas. As centrais sindicais rei­vindicavam isenção total até R$ 10 mil, mas ficaram satisfei­tas com o anúncio do governo. O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçal­ves, o Juruna, diz que isentar a PLR até R$6 mil atende a 80% dos acordos realizados.
 
A desoneração atinge tam­bém ganhos acima de R$ 6 mil. Para quem ganha dessa faixa até R$ 9 mil, a incidência de IR será de 7,5%. DeR$ 9 mil até R$ 12 mil, a alíquota passa a ser de 15%. De R$ 12 mil até R$ 15 mil, de 22,5%. Acima de R$ 15 mil, fica em 27,5%. Hoje, a alí­quota de 27,5% é aplicada so­bre todas as faixas. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, durante o anúncio anteontem, disse que o impacto de deso­neração na área fiscal será de cerca de R$ 1,7 bilhão ao ano.
 
Gorin simulou os ganhos pa­ra um trabalhador que recebe R$ 3 mil mensais e dois salári­os de PLR. Em outra situação, calculou o benefício para um empregado que ganha R$ 5 mil mensais e também recebe dois salários anuais como partici­pação nos lucros. No primeiro caso, o funcionário paga hoje R$ 1.193 de Imposto de Renda ao ano, considerando os salá­rios e a PLR. Com a nova regra, válida a partir do ano que vem, o custo tributário cai para R$ 621, uma economia de R$ 572, ou um pagamento 48% menor.
 
No segundo caso, com o em­pregado ganhando R$ 5 mil, a economia será de R$ 1.662, Com as regras atuais, o impos­to devido é de R$5.914, mas cai para R$ 4.252 em 2013, um valor 28% menor.
— Essa forma de pagamento (PLR) pode aumentar, com a redução do Imposto de Renda na fonte. A menor carga tribu­tária para asempresas e funci­onários, já que na PLR não há incidência de INSS, vai au­mentar a eficiência da econo­mia — afirmou Gorin.
 
Outra medida que o tributa­rista defende é a simplificação nos critérios exigidos para que esse rendimento do trabalha­dor seja considerado partici­pação nos lucros. Muitas em­presas são multadas por fiscais do INSS, diz, com alegação de que a explicação apresentada pelo empregador não se en­quadra nos critérios de PLR.
 
APOSTA EM JORNADA MENOR
 
O movimento sindical tam­bém considerou positivas as faixas de tributação. As cen­trais esperavam a isenção e de­pois uma única alíquota para ganhos acima de R$ 6 mil:
— Demorou um pouco. Até agora, o governo só havia be­neficiado as empresas. Isso mostra que a presidente Dilma está disposta a avançar em ou­tras questões, como a redução da rotatividade e da jornada.
A campanha de isenção do IR na PLR foi lançada por bancári­os, metalúrgicos, químicos, pe­troleiros e eletricitários no fim do ano passado. (O Globo)