Itabira realiza 1ª Conferência dos ODS e debate futuro sustentável da cidade

A conferência ocorreu diante das discussões sobre diversificação econômica e planejamento de futuro no cenário pós-mineração no município

Itabira realiza 1ª Conferência dos ODS e debate futuro sustentável da cidade
Foto: Guilherme Guerra/DeFato
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Representantes do poder público, sociedade civil, setor produtivo, academia e lideranças comunitárias participaram, nesta quarta-feira (13), da 1ª Conferência Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de Itabira, realizada no auditório da Funcesi. O encontro teve como objetivo aproximar a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) da realidade local, promovendo debates sobre desenvolvimento sustentável, participação social e construção coletiva de propostas para o município.

Com o tema “Inovação Territorial e Transição Econômica: O Futuro de Itabira com Foco nas Pessoas e na Sustentabilidade”, a conferência ocorreu em um momento considerado estratégico para a cidade, diante das discussões sobre diversificação econômica e planejamento de futuro no cenário pós-mineração.

Durante entrevista à DeFato, o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) destacou que a gestão municipal já adota práticas alinhadas aos princípios da Agenda 2030 da ONU. “O município de Itabira hoje, em todas as áreas, é norteado pela Agenda 2030 da ONU, que define o desenvolvimento sustentável do milênio. Os ODS são um norte muito importante para a sociedade”, afirmou.

Segundo o prefeito, o debate sobre sustentabilidade vai além das questões ambientais e envolve também justiça social, combate às desigualdades e qualidade de vida.

“Enquanto houver fome no mundo, enquanto houver pessoas morando em situação de rua, a nossa sociedade está fracassada. Quando a gente aplica os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na gestão pública, estamos contribuindo para um mundo melhor, com mais igualdade e justiça social”, declarou.

Marco Antônio Lage também ressaltou que Itabira foi o segundo município de Minas Gerais a assinar o Pacto pelo Desenvolvimento Sustentável e afirmou que a cidade já possui experiências concretas nas áreas de assistência social, educação e saúde que podem servir de referência para outros municípios.

Juventude e participação social em destaque

O coordenador do Movimento Nacional ODS em Minas Gerais, Frederico Martins Quintão, enfatizou a importância da participação dos jovens nas discussões. “Não existe desenvolvimento sustentável se não pensarmos na juventude à frente. É importante trazer essa consciência desde cedo, para jovens e crianças, porque é preciso pensar em como vamos sobreviver depois da exaustão dos recursos”, afirmou.

Frederico explicou que a conferência busca “territorializar” as metas globais dos ODS, aproximando os objetivos das comunidades e bairros da cidade. “As metas foram traçadas globalmente, mas o nosso papel é trazer essas discussões para a realidade local. É ouvindo as comunidades que entendemos o que realmente precisa ser feito para promover o desenvolvimento sustentável”, destacou.

Ele também informou que os debates foram organizados em seis grupos de trabalho, responsáveis pela elaboração de propostas que serão encaminhadas à etapa nacional da conferência. Um delegado e três suplentes serão escolhidos para representar Itabira na conferência nacional.

ODS 18 e combate às desigualdades

A programação do evento também deu destaque ao ODS 18, voltado à igualdade étnico-racial e ao enfrentamento das desigualdades estruturais. Durante a conferência, foi lançado o Glossário ODS 18. A sócia da Umbigo do Mundo e idealizadora do movimento Educação para a Gentileza e Generosidade, Marina Pechlivanis, ressaltou a importância de envolver as novas gerações nas discussões sobre sustentabilidade e transformação social.

“Ninguém reconhece aquilo que não conhece. Falar sobre aquilo que importa é fundamental para gerar conscientização. Quando trazemos essa pauta para as novas gerações, mostramos que elas também podem ser protagonistas da mudança”, afirmou.

Segundo Marina, além do desenvolvimento cognitivo, é necessário fortalecer o chamado “letramento sócio-transformacional”, ligado à capacidade de agir e promover mudanças na sociedade. “Precisamos fortalecer exemplos positivos e mostrar que boas práticas precisam ganhar visibilidade. A transformação social acontece quando as pessoas se sentem parte do processo”, disse.

Ela também destacou a importância da inteligência coletiva e da reconexão das pessoas com a realidade ao seu redor. “A tecnologia nos conecta com o mundo, mas muitas vezes nos desconecta das pessoas que estão ao nosso lado. Por isso acreditamos em princípios como gentileza, solidariedade, sustentabilidade, diversidade, respeito e cidadania como ferramentas efetivas de transformação social”, concluiu.