Itabirano é sobrevivente da tragédia do RJ

  Gustavo Pucci de Oliveira, 22 anos, itabirano, filho do médico José Pinto Mendonça de Oliveira, é um dos sobreviventes da tragédia que atingiu o estado do Rio de Janeiro na noite da virada do ano. A pousada em que se hospedou, da amiga Yumi Faraci, cujos pais estavam em outro lugar e escaparam do […]

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Gustavo Pucci de Oliveira, 22 anos, itabirano, filho do médico José Pinto Mendonça de Oliveira, é um dos sobreviventes da tragédia que atingiu o estado do Rio de Janeiro na noite da virada do ano. A pousada em que se hospedou, da amiga Yumi Faraci, cujos pais estavam em outro lugar e escaparam do acidente, foi atingida pelo deslizamento de terra na sua encosta, deixando a construção completamente destruída.
 
Uma das jovens que saiu viva do soterramento de parte da Pousada Sankay, a estudante de arquitetura Luciana Rattes, de 20 anos, que estuda na capital, retornou para Oliveira (MG), onde moram seus pais. Em Belo Horizonte, o pai de Gustavo Pucci, o médico José Pinto também falou dos relatos do filho, o único que estava acordado no quarto onde dormiam Yumi Imanishi e seus amigos, na hora do acidente. “Meu filho saiu das trevas ileso”, disse ele.
 
DETALHES
 
 Luciana Rattes relembrou o pesadelo que viveu acordada. “Estávamos todos no quarto dormindo, oito pessoas comigo: Isabella, Paulo, Éric, Natasha, Yumi, Gustavo e Cris. Era mais ou menos 3 horas e eu não sei o que aconteceu. Só me lembro de abrir os olhos. Não sei se acordei com o barulho ou se foi com alguém me abraçando. Não sei direito. Foi tudo muito rápido. Quando percebi, os meninos já estavam me tirando de lá”, disse a estudante.
 
Ela narrou que o cenário à sua volta era de destruição, um verdadeiro mar de lama. “Estava muito escuro. Gustavo e o Éric me puxaram do meio da lama. Era muito desespero. Peguei um barco, até uma pousada de uma vila pequena, lá perto, e só três horas depois, não sei, a Defesa Civil me levou para o hospital. Bastante tempo depois, chegou o Cristiano ao hospital e, bem mais tarde, o Éric e o Gustavo. Não sofremos nada grave, graças a Deus”, disse a estudante.
 
Outra lembrança de Luciana é de ter visto o dono da pousada, Geraldo Faraci, pai da amiga Yumi, com uma lanterna tentando chegar perto deles, mas era difícil devido à grande quantidade de lama e escombros. “A gente o estava vendo com a lanterna e ele gritando pela gente, tentando chegar aonde estávamos. Havia muita terra e ele nos ajudou a sair dos escombros. Ele e Sônia também estavam na pousada na hora do acidente, no quarto ao lado do nosso, mas não foram muito atingidos. Mesmo com a filha deles lá, e eles tentando encontrá-la, os dois cuidaram da gente também, gritando, insistentemente, pela Yumi. Foi um pesadelo, mas, felizmente, acabou”, disse Luciana, que mais tarde foi informada da morte das amigas Yumi Imanishi e Isabella Godinho.
 
O itabirano Gustavo, que continua em Belo Horizonte, falou dos momentos de desespero que viveu na hora do desabamento. "Um foi ajudando o outro, não teve um que ajudou mais ou ajudou menos", afirmou.
 
"Estava todo mundo deitado, tudo veio abaixo. Não tinha como saber o que estava acontecendo. A princípio achei que todo mundo ia morrer. Consegui sair do quarto, estava tudo escuro, e quando voltei conseguimos sair: Cristiano, Erik, Luciana e Natasha. As outras três pessoas a gente não conseguia ver."
 
Sobre o fato de ter sobrevivido, ele resumiu: "Foi um milagre". Até a tarde deste domingo, 3 de janeiro, seus pais — José Pinto e Heloisa Oliveira — não haviam chegado à casa deles, em Itabira.