Itabiranos se manifestam sobre paralisação das atividades da Vale

A reportagem de DeFato Online foi às ruas para ouvir a opinião da população sobre a suspensão das atividades da mineradora e as possíveis consequências para o futuro do município frente à decisão do MPT

Itabiranos se manifestam sobre paralisação das atividades da Vale
Itabiranos opinaram sobre a paralisação das atividades da Vale em Itabira – Foto: Leandro Colombo/DeFato Online
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A reportagem do portal DeFato Online foi às ruas de Itabira para ouvir a opinião dos populares sobre a suspensão das atividades da Vale no município, determinada por uma liminar do Ministério Público do Trabalho (MPT). Grande parte dos itabiranos entrevistados se mostrou contrária à decisão do órgão, em função, principalmente, da saúde econômica de Itabira.

Preocupação com a economia

“É uma atitude bem drástica. Para a cidade e região, a paralisação é um colapso. Acabou a economia da cidade e da região durante este período. Espero que o Ministério Público do Trabalho reveja a decisão. E mais. Será que todos os outros setores, como o comércio da cidade, não estariam com o mesmo número de infectados? Esse número, pelo que consta, é geral na cidade. No fim das contras, barrar uma empresa do porte da Vale, dada sua importância para Itabira e região, vai matar a população de fome. É muito fácil assinar uma liminar e obrigar uma empresa privada a interromper suas atividades enquanto há vários setores funcionando e que não passam nem perto da contribuição financeira da Vale para a cidade”, disse o corretor de imóveis José Lelis, de 57 anos.

O corretor de imóveis José Lelils se manifestou contrário à suspensão das atividades da Vale em Itabira – Foto: Leandro Colombo/DeFato Online

William Guerra, de 30 anos, atua como moto-taxista na cidade. Ele analisa a decisão como “absurda, principalmente pela desproporção na fiscalização sanitária do comércio”.

“Pra mim, a paralisação é um absurdo. A Vale é o centro da economia de Itabira. Como eu trabalho de motoboy também durante a noite, eu vejo que a fiscalização de modo geral em Itabira é que está em falta. Vejo com frequência  festas, ‘pegadas’, bares funcionando, pizzarias abertas para o público. Tudo isso contribui para o aumento de casos confirmados. Acho que a Vale não tem culpa nenhuma disso. Deveria haver mais fiscalização e menos culpa centralizada em uma empresa só”.

William Guerra ressaltou a necessidade de ampliar a fiscalização de cumprimento às medidas de prevenção ao coronavírus – Foto: Leandro Colombo/DeFato Online

Colaborador da Vale, S.C.O. (identidade preservada) argumenta que a paralisação das atividades na companhia prejudica a arrecadação municipal com os impostos da operação, e aflige demais trabalhadores e seus familiares quanto à manutenção do emprego.

“Sou um trabalhador da mineradora. Fui apanhado de surpresa com a paralisação das atividades. Presenciei, lá dentro, várias atitudes da empresa, várias medidas e ações coletivas para que pudéssemos evitar a propagação do coronavírus. Os testes não foram realizados somente com empregados diretos, mas também com os terceirizados. E à medida que ela começou a testar em massa e que foram aparecendo os casos, os olhos da cidade foram voltados para a mineração, para a mineradora. Mas, por outro lado, vejo que se começarem a testar a população, os olhos serão voltados para a cidade como um todo. Eu acredito que a paralisação vai ser ruim para a cidade, porque Itabira depende muito da Vale. Do ICMS, dos royalties, da mineração. É ruim para o trabalhador, é ruim para nossas famílias, que ficam ansiosos para nos ver voltar a trabalhar e, sobretudo, sem saber qual será a decisão final. Não é nada desvantajoso para a população a mineradora continuar operando”.

Questão sanitária

Apesar da grande maioria dos entrevistados se mostrar favorável ao retorno da operação completa da Vale em Itabira, o aspecto sanitário também foi lembrado pelos populares. A professora de ballet, Kelly de Souza, de 38 anos, argumenta que a paralisação é momentaneamente necessária, mas deve ser acompanhada de um plano estratégico de retomada.

“Agora, para resguardar vidas, tem que parar mesmo, pois, a pandemia já provou o seu perigo. Mas sei que a nossa cidade, nossa população, precisa da Vale funcionando, porque envolve salário, trabalhadores, as famílias destes colaboradores, então é complicado. Tenho pessoas do meu convívio que foram desligadas da Vale, que já estão sentindo essa falta do emprego, sentindo ainda mais os efeitos da economia na cidade. Mas compreendo que, neste momento, é preciso parar, pela questão da saúde. Mas que essa decisão venha acompanhada de um plano para retomada das atividades”.

 

A professora Kelly Souza defendeu a suspensão das atividades da Vale como medida sanitária – Foto: Leandro Colombo/DeFato Online

Marcos Xavier, de 30 anos, que atua como gerente comercial, projeta que uma paralisação esticada será prejudicial aos comerciantes, mas concorda com a suspensão das atividades pelo ponto de vista sanitário.

“Para mim, foi uma medida acertada, sim, pela quantidade de casos que vieram a ser confirmados. O efeito que será mais sentido na nossa cidade, sem dúvidas, é o financeiro, visto que a Vale é a maior potência econômica de Itabira. Aqueles que, como eu, trabalham diretamente com o comércio e com vendas, sentirão ainda mais esses efeitos. Mas, ainda assim, analisando a parte sanitária como mais decisiva neste momento, a atitude foi correta”.

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A reportagem entrevistou a população nessa segunda-feira (8), na avenida João Pinheiro, em horário comercial – Foto: Leandro Colombo/DeFato Online

Alternativas para a retomada

Boa parte dos itabiranos foi além do posicionamento totalmente a favor ou totalmente contra a paralisação. É o caso da garçonete Juliana Caldeira, 34 anos, que defende o afastamento somente dos infectados pela doença.

“Tendo em vista o alto número de testes positivos para a Covid-19, creio que essa decisão pode influenciar muito a economia da cidade. Já que Itabira depende da Vale. Então, para mim, somente os colaboradores que testarem positivo deveriam ser afastados e, em casa, continuar a tomar as precauções para evitar mais contaminação. É colocar em quarentena quem está infectado, seguir com os testes na mineradora e dobrar a vigilância sanitária, a limpeza interna”.

José Alfredo, de 68 anos, crê que, até a chegada de uma vacina efetiva contra a doença, a alternativa correta é retomar as atividades da mineradora somente com os colaboradores que testaram negativo para a Covid-19. Segundo o aposentado, este é um fator econômico decisivo para que a cidade não decline para o prejuízo.

“Acredito que a paralisação foi uma atitude tomada em função da preocupação com a saúde, né? Mas, para mim, a situação já é é ruim com a Vale, mas mil vezes pior sem ela. As atividades devem ser retomadas o mais rápido possível. Enquanto não houver a vacina para combater o vírus, o cenário não vai ser tão alterado. Então é voltar à ativa quem quem tem condições de voltar, e não impedir todo mundo”.