Júri popular julga tentativa de homicídio em João Monlevade
Homem foi condenado a três anos e quatro meses em regime aberto. Familiares que acompanhavam julgamento ficaram emocionados

Os familiares de M.A.G, de 29 anos, ficaram emocionados com a sentença proferida a partir de júri popular, que o condenou por três anos e quatro meses por tentativa de homicídio, em regime aberto. O juiz que conduziu o caso, Rodrigo Braga Ramos, solicitou a soltura imediata do rapaz. Ele foi julgado pela tentativa de homicídio ocorrida em 21 de julho de 2013. A vítima, Muller Andrade Correa, foi alvejado com tiro no braço. À época, o desentendimento foi motivado pelos dois estarem envolvidos com uma mesma mulher.
Conforme relatado no processo, houve colisão de trânsito entre o réu e a vítima, na avenida Armando Fajardo, no bairro Cruzeiro Celeste. O réu então teria descido do carro e atirado em Muller. Ele está preso há oito meses, mas não por este caso. M.A.G. foi preso por não declarar o endereço onde residia atualmente.
A promotoria ficou à cargo do promotor Rodrigo Fragas Almeida. O réu foi defendido pelos advogados Ivanete Gomes da Silva e Dimas Tadeu dos Santos. O júri popular foi composto por seis mulheres e um homem. Não houve necessidade de se ouvir testemunhas. Destaca-se que Muller foi morto em 2017, após parar seu carro próximo à praça Neném do Lindinho, no centro de João Monlevade. Ele foi morto a tiros. O julgamento que ocorre hoje é exclusivamente sobre a tentativa de homicídio em 2013.
Promotoria defende pena com redução

O promotor Rodrigo Almeida, que conduziu o último juri na Comarca de João Monlevade, já que foi transferido para Curvelo, destacou os antecedentes criminais de Muller. Bastante conhecido no meio policial, Muller era traficante de drogas, conhecido como Milão. “O acusado não era, mas cometeu o crime devido à mulher que os dois disputavam, que uma hora estava com Muller, outra com o réu. O acusado disse que um dia antes do fato, o Muller foi atrás dele e o agrediu. Testemunhas na oficina mecânica onde o fato ocorreu confirmaram suas palavras. O réu então comprou um revólver calibre 32”, destacou o promotor.
No dia 13 de julho, o réu buscou atendimento médico no Hospital Margarida e no meio do caminho, teve seu veículo fechado por Muller. “O acusado saiu com a arma e efetuou cinco disparos. Acertou no braço. O Muller correu e foi socorrido ao Margarida. Só que o acusado disse que o Muller saiu com uma arma calibre 12, arma de grande porte, só que teria deixado cair. No entanto, nem quem o socorreu, nem os policiais viram a arma. Importante frisar que Muller era bandido e poderia ter matado o réu com a calibre 12, mas ninguém achou a arma”, informou o promotor.
Ainda em sua fala, Rodrigo Almeida defendeu que o réu cumprisse pena sobre a tentativa de homicídio, ainda que alguns parâmetros permitissem atenuar o tempo. “Há teses que pede a absolvição. Mas na minha visão, a absolvição pode incentivá-lo a cometer crimes ou a qualquer outro. O importante da pena é ela ser certa, não ser alta. Não é caso de absolvição, mas de pena com a redução de extrema emoção, violenta”, relatou o promotor.
Defesa destaca ficha criminal de Muller

A defesa do réu focou na ampla ficha criminal de Muller, morto em 2017, enquanto o acusado responde exclusivamente pela tentativa de homicídio. “A vítima era um traficante de drogas, manuseava armas de fogo. O réu é trabalhador, nunca teve problema na cidade. Mas se apaixonou com uma mulher que antes dele namorava com um criminoso e que depois de um tempo ia e vinha aos seus braços. Despertou ira à suposta vítima. Enquanto o réu é trabalhador, está noivo, construindo uma casa, ele pode ser preso de fato por culpa de um bandido, que está debaixo da terra, executado quatro anos após o fato envolvendo ambos”, disse o advogado, Dimas Tadeu. A defessa solicitou a todo momento a absolvição do rapaz.
Júri chega a veredito
Após as falas da promotoria e da defesa, os jurados se reuniram em uma sala separada. Após a reunião, que durou cerca de 25 minutos, foi entregue o veredito ao juiz. Os mesmos declararam o reú culpado por tentativa de homicídio. A pena imposta foi de três anos e quatro meses em regime aberto, sendo que M.A.G. pode recorrer em liberdade. Familiares do réu ficaram emocionados e choraram com o veredito, bem como o próprio acusado.
Em conversa com a reportagem, o promotor Rodrigo Almeida disse estar satisfeito com o resultado. Para ele a justiça foi feita. O promotor ainda explicou que como não há no Brasil um local adequado aos que respondem crimes em regime aberto, o rapaz ficará em prisão domiciliar, não podendo frequentar lugares no período noturno e nem viajar.