Justiça autoriza desapropriação e demolição de casas na rua Dona Modestina

Máquinas e caminhões trabalharam no local o dia todo

Justiça autoriza desapropriação e demolição de casas na rua Dona Modestina
A Primeira Vara da Justiça de Itabira autorizou que a Prefeitura desapropriasse três imóveis situados entre as ruas Dona Modestina e Juca Machado, no Centro da cidade. Uma das casas estava sem moradores, mas outras eram usadas como pensão. Durante a manhã desta terça-feira, 5 de abril, funcionários da Administração Municipal e oficiais de justiça estiveram no local para retirar o mobiliário e as pessoas que alugavam quartos na hospedaria. A demolição dos prédios ocorreu na parte da tarde. O espaço vai servir para que a rua Dona Modestina seja prolongada até o bairro Alto Pereira.
 
As negociações para que as casas fossem desapropriadas começaram há cinco anos. Os imóveis pertencem ao espório de Lauro Andrade. A família dele, que reside em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi indenizada em 2006. Acontece que inquilinos que usavam as residências não saíram. Em 2008, a Prefeitura entrou na Justiça para que os moradores fossem desapropriados e os imóveis entregues ao município. Desde então, é aguardada a sentença.
 
Agentes da Prefeitura e oficiais de justiça chegaram ao local das desapropriações com escavadeiras, caminhões e ferramentas. Um dos imóveis, de número 116, estava desabitado. No entanto, dentro dele havia livros, quadros, fotografias e alguns móveis. Tudo foi retirado, o que atrasou a demolição.
 
O imóvel logo ao lado dessa primeira casa servia como pensão, coordenada por Clotilde Batista. Da mesma forma acontecia no andar de cima do Açougue Assis, onde a mesma mulher alugava quartos para pensionistas. Eram 17 quartos ao todo. A má qualidade dos cômodos impressionou as pessoas que estavam trabalhando na desapropriação. Segundo um inquilino, era cobrado aluguel de R$400.
 
O inquilino Arpídio Vicente Costa, que trabalha como vigilante, disse que todos foram pegos de surpresa com a notícia da desapropriação. Ele contou que os pensionistas não sabiam da situação e que só foram informados quando os agentes chegaram para retirar tudo. “Se eu soubesse não teria ficado aqui”, afirmou. Segundo os servidores da Prefeitura, o mobiliário retirado das casas foi levado para um almoxarifado do município.
 
Apesar da surpresa dos inquilinos, funcionários municipais disseram que a dona da pensão já tinha sido avisada da data da desapropriação há 15 dias. O procurador jurídico da Prefeitura, Gilberto Magalhães, compareceu ao local e lamentou que não houve a saída amigável da mulher que gerenciava a hospedaria. “As casas serão demolidas e o espaço vai servir para o prolongamento da rua Dona Modestina, que é um desejo antigo dos itabiranos”, comentou Gilberto.
 
Açougue é o próximo
 
Gilberto comentou que o Açougue Assis será o próximo a ser desapropriado. O caso desse estabelecimento é diferente. O proprietário luta na Justiça para receber indenização, porque alega que pagou luvas durante os 38 anos que já atua no local. Por causa disso, o juiz da Primeira Vara mandou que fosse feita uma perícia no imóvel para que ele fosse avaliado. O comerciante vai cobrar da família de Lauro Andrade o valor que for estipulado.
 
Segundo o procurador da Prefeitura, tão logo a perícia seja feita, o imóvel será desapropriado. Por causa do açougue na parte de baixo, a pensão que funciona em cima não será demolida hoje, mas só quando o estabelecimento for derrubado.
 
O comerciante Afonso Celso Lage disse que apenas aguarda a ordem judicial para deixar o local. Ele se mostrou muito tranquilo e comentou que o prolongamento da rua Dona Modestina é muito necessário. “Estou aqui há 38 anos. Agora vou aposentar, colocar meus pés para o alto que eu mereço”, brincou.