“Legado é o que a gente deixa”, diz presidente da Anglo American durante reinauguração da estátua do Juquinha da Serra
Ana Sanches associou preservação cultural, sustentabilidade e responsabilidade da mineração ao simbolismo deixado pelo lendário andarilho

A reinauguração da estátua do Juquinha da Serra, realizada na última quinta-feira (7), no município de Santana do Riacho, transformou um dos principais cartões-postais de Minas Gerais em palco para uma reflexão sobre legado, memória e responsabilidade social. Durante a cerimônia que marcou a entrega oficial da restauração do monumento, a presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, destacou que preservar símbolos culturais é uma forma de pensar no futuro e de deixar marcas positivas para as próximas gerações.
“Legado é o que a gente deixa. Legado é tudo o que a gente toca e fica mais bonito para quem vem. Legado é aquilo que a gente faz não pensando em colher o fruto hoje, mas pensando em plantar muito bem hoje para as próximas gerações que vêm por aí”, afirmou.
A fala abriu o discurso da executiva durante a solenidade e serviu como fio condutor para relacionar a restauração do monumento à visão que, segundo ela, a empresa busca aplicar em suas operações. “É assim que a gente faz mineração. Mineração, pessoal, é um setor tão presente nas nossas vidas. Tudo o que a gente vê ao nosso redor tem, de alguma forma ou de outra, mineração. Não tem como a gente pensar em vida moderna, pensar em tecnologia, pensar em conectividade, pensar na transição energética do mundo sem soluções de mineração”, disse.
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Ao longo do pronunciamento, Ana Sanches reforçou que o desafio do setor mineral vai além da atividade econômica e passa pela necessidade de atuação responsável nos territórios onde está inserido. “Mas a gente precisa fazer de uma forma responsável, de uma forma sustentável, com o coração e a mente abertos, com a verdadeira escuta ativa, entendendo as vocações das regiões onde a gente atua, das nossas comunidades vizinhas, respeitando esse belo meio ambiente que a mãe natureza deu para a gente e pensando nas próximas gerações”, declarou.
A presidente da Anglo American também relacionou o simbolismo de Juquinha à mensagem que a empresa pretende deixar em sua atuação institucional. “A gente aprendeu isso com o Juquinha. Ele deixou marcas e marcas muito positivas e é assim que a gente quer deixar também, como setor, como atividade, como empresa, de uma forma muito responsável e pensando no nosso legado”, afirmou.

Monumento passou por restauração após décadas sem manutenção
Um dos principais símbolos turísticos da Serra do Cipó, a estátua do Juquinha foi reinaugurada após passar por um amplo processo de restauração realizado entre agosto e dezembro de 2025.
As obras foram executadas por meio de um acordo entre a Anglo American e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com recursos viabilizados pela Lei Rouanet e apoio da Prefeitura de Santana do Riacho. O trabalho foi conduzido pela artista plástica Virginia Ferreira, autora da obra original inaugurada em 1987.
Instalada na região do Alto Palácio, a cerca de 110 metros da rodovia MG-010, a escultura homenageia José Patrício, conhecido como Juquinha, personagem histórico da Serra do Cipó que se tornou uma figura lendária por sua simplicidade, carisma e forte ligação com a comunidade local.
Ao longo dos anos, a exposição contínua ao tempo provocou desgaste estrutural no monumento, tornando necessária uma intervenção completa para recuperação e preservação da obra.
Melhorias no entorno e proteção permanente
Além da restauração da escultura, a Anglo American também executou outras melhorias no entorno do monumento. Entre elas está a instalação de um sistema de monitoramento eletrônico 24 horas, medida prevista em Termo de Acordo Positivo firmado entre a empresa e o Ministério Público de Minas Gerais.
A área onde está localizada a estátua foi adquirida pela Anglo American no fim de 2020 como parte de compensação ambiental relacionada às operações do empreendimento Minas-Rio, localizado em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas.
Desde 2021, a estátua do Juquinha é tombada pelo município de Santana do Riacho por seu valor artístico, estético e simbólico.
Patrimônio integrado ao turismo regional
Além de símbolo cultural, o monumento integra a Rota Estrada Cênica da Cordilheira do Espinhaço, iniciativa da Anglo American em parceria com o Governo de Minas Gerais e 11 municípios da região para fortalecimento do turismo no Médio Espinhaço.
A proposta conecta atrativos naturais, históricos, culturais e gastronômicos em um trajeto de aproximadamente 250 quilômetros, consolidando a Serra do Cipó como um dos principais destinos turísticos do estado.
Com a restauração concluída e entregue oficialmente, a expectativa é de que a estátua do Juquinha continue cumprindo o papel que exerce há quase quatro décadas: receber visitantes, preservar a memória de um personagem emblemático e reafirmar a identidade cultural da Serra do Cipó.