Maduro e Cilia Flores serão julgados nos EUA por narcoterrorismo, anuncia Procuradoria-Geral dos EUA

Processo tramitará no Distrito Sul de Nova York; presidente venezuelano é acusado de conspiração para tráfico de drogas e posse de armas de guerra

Maduro e Cilia Flores serão julgados nos EUA por narcoterrorismo, anuncia Procuradoria-Geral dos EUA
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, serão julgados pela Justiça dos Estados Unidos em um tribunal federal de Nova York. O anúncio foi feito neste sábado (3) pela procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, após a confirmação, pelo presidente Donald Trump, de uma ofensiva militar dos EUA que resultou na captura do casal.

Segundo Bondi, Maduro e Flores foram formalmente denunciados pela Procuradoria-Geral dos Estados Unidos ao Distrito Sul de Nova York, uma das cortes mais rigorosas do país, conhecida por aplicar penas severas em casos ligados ao narcotráfico e ao terrorismo. Ainda não há data definida para o início do julgamento, mas, de acordo com a procuradora, o processo deve começar “em breve”.

De acordo com a acusação, Nicolás Maduro responderá por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse desse tipo de armamento. A procuradora não detalhou, até o momento, quais acusações específicas recaem sobre Cilia Flores.

“Em breve, eles enfrentarão toda a severidade da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, afirmou Pam Bondi em declaração pública. Ela também agradeceu ao presidente Donald Trump pela decisão de autorizar a operação e elogiou a atuação das Forças Armadas dos Estados Unidos na missão de captura, que classificou como bem-sucedida.

+ Apoio, cautela e condenação: América Latina se divide após ataque dos EUA à Venezuela

+ União Europeia pede contenção e respeito ao direito internacional após ataques dos EUA à Venezuela

Apesar do anúncio do processo judicial, a procuradora-geral não confirmou se Maduro e sua esposa já foram levados para território norte-americano nem revelou o paradeiro atual do casal. A falta de informações oficiais alimenta a incerteza sobre os próximos passos do caso.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, voltou a condenar a ação militar dos Estados Unidos, classificando o ataque como “vil e covarde”. Ele rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e pediu apoio da comunidade internacional. Nos últimos meses, o governo da Venezuela já vinha denunciando bombardeios e ações militares norte-americanas contra embarcações venezuelanas no Caribe.

O anúncio do julgamento aprofunda a crise diplomática entre Washington e Caracas e marca uma escalada inédita no confronto entre os dois países, agora transferido também para o campo judicial.