Mais de 40 mulheres denunciam tatuador por assédio em Belo Horizonte

“Eu fiz a tatuagem com ele há quatro anos, em 2015. Quando eu cheguei, ele me disse que teria que tirar a roupa para fazer o desenho na coluna. Então tirei a parte de cima (blusa e sutiã) e ele pediu para que eu tirasse a calça até embaixo também. A calça ficou até o […]

“Eu fiz a tatuagem com ele há quatro anos, em 2015. Quando eu cheguei, ele me disse que teria que tirar a roupa para fazer o desenho na coluna. Então tirei a parte de cima (blusa e sutiã) e ele pediu para que eu tirasse a calça até embaixo também. A calça ficou até o meio da virilha com a parte de cima descoberta”, Flávia Caldeira, 24 anos.

Relatos como este vieram a público, no dia 16 de março, após a candidata ao senado, Duda Salabert, publicar em rede social que preferia fazer tatuagens com mulheres ao invés de homens. O comentário da ativista motivou mais de 100 mulheres vítimas de assédio a denunciarem tatuadores de um estúdio em Belo Horizonte, no bairro Savassi. Conhecido como Leandro, só o nome do tatuador apareceu em mais de 40 denúncias.

Flávia, que atualmente mora no exterior, começou a acompanhar a repercussão do caso e se identificou como uma das vítimas. “Depois que ele terminou de fazer a tatuagem na minha coluna, começou a desenhar no meu corpo e eu não me dei conta na época do que estava acontecendo. Agora vendo a postagem da Duda Salabert sobre um cara que estava assediando meninas em Belo Horizonte durante tatuagens, em que ele pedia para tirar a blusa e a roupa eu entendi o que aconteceu”, conta a jovem.

Diante do volume de denúncias e relatos, Duda se comprometeu a auxiliar as vítimas que estão dispostas a formalizar as denúncias por meio da Defensoria Pública de Minas Gerais através de uma ação coletiva.

Questionado, o tatuador negou as acusações e disse que está providenciando assessoria jurídica porque “não fez nada contra as mulheres”.

No Brasil, a cada um minuto, uma mulher é assediada e mais de 80% da população feminina já sofreu algum tipo de assédio.  Isso significa que 29.849 mulheres, segundo os Relógios da Violência – do Instituto Maria da Penha, foram vítimas de tal violência em 2018.