Manobra com fundos oculta quase R$ 500 milhões em prejuízos do banco de Edir Macedo
Especialistas ouvidos pela reportagem classificaram as transações como de “alto risco regulatório”
O Banco Digimais, instituição financeira controlada pela empresa do bispo Edir Macedo, é alvo de investigações da Polícia Federal por supostas fraudes em seus balanços. Segundo documentos obtidos pelo jornal Estadão, a instituição está em crise e à venda há mais de um ano que utilizou manobras com fundos de investimento próprios para omitir perdas multimilionárias e retirar centenas de milhões de reais em créditos inadimplentes de suas demonstrações financeiras oficiais.
Com o uso dessas estruturas, conhecidas no mercado como operações “Zé com Zé” (onde o banco atua nas duas pontas do negócio), a instituição declarou lucro de R$ 31 milhões no fim de 2025. Contudo, analistas apontam que a manobra ocultou ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos de financiamentos de veículos, sua principal carteira de atuação.
Especialistas ouvidos pela reportagem classificaram as transações como de “alto risco regulatório”. Além disso, as auditorias oficiais não conseguiram analisar outros R$ 3 bilhões em investimentos devido à falta de acesso aos documentos comprobatórios.
Em outra transação que acendeu o alerta dos auditores, a própria holding de Macedo comprou R$ 741 milhões em cotas de um fundo do Digimais que detém precatórios de uma disputa judicial da década de 1990 contra a União, cujo pagamento final é incerto e pode levar anos.
Atualmente, o Digimais, que adota taxas de juros elevadas e foca em perfis de maior risco, negocia uma potencial venda de sua carteira de clientes para o BTG Pactual, em processo que dependerá de leilão e de suporte financeiro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Procurados, o Digimais e a Igreja Universal não quiseram se manifestar.




