Máscara e calor: Como itabiranos lidam com a pandemia em meio a altas temperaturas?

A “falta de ar” é a principal pauta das reclamações diante dos mais de 30°C registrados na cidade

Máscara e calor: Como itabiranos lidam com a pandemia em meio a altas temperaturas?
Foto: Bruno Andrade
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Este ano a primavera chegou com as temperaturas bastante elevadas. Hoje por exemplo, a cidade de Itabira registrou média de 37°C.  Em decorrência disso, muitos itabiranos tem reclamado sobre o incômodo causado pelo uso de máscaras. Tem sido um desafio usar o acessório obrigatória na pandemia durante o calor. A “falta de ar” é a principal pauta das reclamações.

A professora aposentada Ivanilde Maria Silva, de 57 anos, é uma das pessoas que reconhecem que o incômodo é inevitável. Ela costuma fazer caminhadas pelo menos três vezes por semana e, claro, não abre mão da máscara. Segundo Ivanilde, a nova realidade imposta pela pandemia já está sendo adaptada.

“Eu sinto que hoje eu já consigo lidar melhor com a máscara, mas depende muito da temperatura. Sempre ando com um paninho em mãos, pois o rosto costuma ficar quente”, explica.

Já a estudante Kyara Silva Almeida, de 17 anos, disse que o incômodo varia de acordo com o tecido da máscara. “A minha falta de ar varia de acordo com o tipo de máscara. Eu já percebi que algumas são mais confortáveis”, contou.

De acordo com a especialista em Emergência e Terapia Intensiva, Luciana Caldas Fontes Martins, a sensação de ‘falta de ar’ existe porque a máscara é uma barreira física para a inalação. Segundo a especialista, isso exige mais esforço da nossa musculatura respiratória, quando inspiramos e expiramos.

Além do uso da máscara e do calor intenso, outro fator que tem contribuído com a sensação de ofegância das pessoas é o ritmo respiratório.

“Algumas pessoas tentam compensar a ‘falta de ar’ acelerando a respiração e por isso ficam ofegantes. O desconforto aumenta. O ideal, neste caso, é fazer exatamente o contrário: respirar de forma mais lenta e profunda”, disse Luciana.

 

Foto: Bruno Andrade

Uma observação válida e consistente, lembrada por Luciana, é que o descômodo pode aumentar e diminuir de pessoa para pessoa, conforme o tipo de máscara que estão sendo usadas.

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“As máscaras destinadas a profissionais de saúde, N95 e PFF2, são barreiras mais eficazes para aerossóis (partículas presente nos gases) e gotículas. Ou seja, causam mais desconforto. As “cirúrgicas”, são mais leves, mas também são, preferencialmente, destinadas profissionais de saúde”, explica Luciana.

A especialista também aproveitou para comentar sobre as máscaras que utilizamos no dia-a-dia, como as de algodão e as de TNT. Ela reforçou sobre a importância de cobrir toda a boca e o nariz com as máscaras.

“As ‘artesanais’ de algodão são confeccionadas em vários modelos então, neste caso, é interessante experimentar e ver qual se adapta melhor ao rosto. As de TNT por serem leves, também são uma boa opção. Além disso, as máscaras devem ter no mínimo duas camadas. A que fica em contato com o rosto deve ser de tecido absorvente e a externa impermeável”, completou a especialista.

Confira na tabela abaixo, os tipos de máscaras e a eficiência de cada uma:

Foto: Olhar Digital

 

Alergias e Higiene

Outro ponto que tem incomodado os itabiranos ao usar as máscaras são as famosas alergias. Espirros e coceiras estão mais corriqueiras no dia-a-dia devido o uso do acessório. Segundo Luciana, o problema pode ter ligação direta com o tipo de tecido, ou uma higienização inadequada.

“A alergia pode suceder de acordo com o tipo de material da proteção facial. Principalmente se for um pano sintético. Porém é importante lembrar que os resíduos da higienização também podem ser a causa. Caos não seja descartável, a máscara deve ser enxaguada abundantemente”, disse a especialista.

O tempo de uso do acessório em altas temperaturas, também é um fator importante na hora de evitar possíveis repulsas. “A umidade do suor e da própria respiração nos obrigam a realizar trocas mais recorrentes. A frequência das trocas é de até 4 horas”.

Adaptação

Luciana Caldas reforçou a necessidade do uso frequente das máscaras mesmo com altas temperaturas. Ela pondera, ainda, o quão a higienização é relevante no momento.

“Devemos insistir, mesmo que não seja confortável. Nós só vamos nos acostumar e nos adaptar ao uso do acessório, se persistirmos. Tudo é treino. Fora que é o necessário no momento, trata-se de uma barreira de proteção individual e coletiva. É um exercício de empatia, à medida que eu uso a proteção facial pelo bem de todos”, concluiu a especialista.

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