Média de casos positivos em testes de coronavírus em Itabira é de 10,5%
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, exames foram intensificados a partir da primeira semana de maio, o que fez disparar os números da Covid-19 na cidade

Desde a última semana, os itabiranos acompanham um aumento expressivo no número de casos positivos de coronavírus na cidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o crescimento exponencial ocorre por causa da intensificação de testagens, especialmente a partir do dia 8 de maio. Dados divulgados pelo município nesta quarta-feira (27) apontam que a média de casos positivos nos testes aplicados em Itabira é de 10,5%.
Segundo a SMS, até o fim da manhã desta quarta-feira constavam registrados na Vigilância Epidemiológica de Itabira a aplicação de 1.552 testes rápidos de Covid-19 no município, considerando os serviços públicos e privados, como os realizados pela Vale em seus funcionários. Até o último balanço de testagens, a cidade registrava 164 casos positivos (número do boletim dessa terça), o que resulta em uma média pouco superior a um caso positivo para cada dez exames realizados.
A média em Itabira está bem abaixo daquela verificada em Minas Gerais, por exemplo, onde o índice de positividade é de 23%, segundo estudo feito por especialistas com base em exames realizados no estado. Nesta quarta, o número de casos na cidade de Drummond aumentou para 196, mas a Prefeitura ainda não havia atualizado o novo número de testes realizados.
Testagem intensificada
Segundo o município, desde o dia 8 deste mês, a Prefeitura de Itabira realiza o teste rápido para detecção do novo coronavírus (Covid-19) em pacientes com sintomas da doença. Foram comprados 10 mil exames. Esse tipo de diagnóstico é feito por meio do teste sorológico, que mede anticorpos contra a Covid-19. A aplicação segue a Nota Técnica (NT) 9/2020, que normatiza a população-alvo e o fluxo para realização de testes rápidos para influenza e de testes sorológicos e de biologia molecular para o novo coronavírus.
Antes de adquirir os testes rápidos, a Prefeitura de Itabira utilizava os exames da Fundação Ezequiel Dias (Funed), órgão do Governo de Minas que detinha a exclusividade nas testagens de identificação da Covid-19 no estado. O teste aplicado pela Funed é o RT-PCR, que exige análise laboratorial e é considerado “ouro” de acordo com escala produzida pelos órgãos de saúde.
Os testes rápidos estão sendo aplicados nas pessoas que apresentam quadro de síndrome gripal há mais de sete dias, explica a Secretaria de Saúde. A testagem é feita por profissionais da Vigilância Epidemiológica ou no Pronto-Socorro Municipal de Itabira (PSMI) no indivíduo notificado como suspeito da doença. Os pacientes em isolamento domiciliar são testados na própria residência.
Com funciona?
A SMS explica que o teste rápido não identifica o coronavírus e sim a presença de anticorpos. Ele serve como apoio para a avaliação do estado de imunidade da pessoa infectada com Covid-19. De acordo com especialistas, é um teste interessante para saber se a pessoa já teve contato com o vírus. Entretanto, até o momento, as pesquisas científicas não conseguiram responder, com certeza, se quem já teve contato com o vírus fica, de fato, imunizado. Ainda que esta condição de imunidade seja adquirida, não se sabe por quanto tempo permanece.
“Quando uma pessoa entra em contato com o vírus, o organismo, na maioria das vezes, inicia a produção de anticorpos como um mecanismo de defesa. No entanto, é preciso aguardar alguns dias até que a quantidade desses anticorpos seja detectável em um teste (janela imunológica). A realização dos testes antes desse período pode levar a resultados negativos mesmo nas pessoas que possuem o vírus e ainda não produziram anticorpos, sendo, portanto, um resultado ‘falso negativo’”, explicou a secretária municipal de Saúde, Rosana Linhares Assis Figueiredo.
Na produção das defesas do organismo, os anticorpos, do tipo IgM, são os primeiros a aparecer. Por esta razão, estão relacionados a infecções recentes, ou seja, presentes em pacientes que podem possuir o vírus. Já os anticorpos do tipo IgG aparecem mais tardiamente e permanecem circulando mesmo após o fim da fase aguda.
Casos negativos x casos descartados
A Secretaria Municipal de Saúde explica que os resultados dos testes rápidos devem ser interpretados por um profissional da área, considerando informações clínicas, sinais e sintomas do paciente, além de outros exames comprobatórios, caso necessário. Somente com esse conjunto de dados é possível fazer a avaliação e o diagnóstico ou descarte da doença.
O resultado negativo de um teste rápido sinaliza que o paciente não tem anticorpos contra o novo coronavírus. Isso quer dizer que a pessoa ainda não teve contato com o vírus ou, se teve contato, ainda não produziu anticorpos. Dessa forma, um resultado negativo nesse tipo de exame não pode ser traduzido como um caso descartado da doença. Esse veredito só pode ser feito com o teste mais eficiente, o RT-PCR.
Itabira, segundo o boletim desta quarta-feira, tem 93 casos descartados da doença. O número de testes rápidos negativos, no entanto, passa de 1,4 mil. A cidade ainda tem 89 pessoas monitoradas por apresentarem sintomas semelhantes ao da Covid-19. Entre os infectados, 11 estão recuperados, 184 estão em isolamento domiciliar e um evoluiu para óbito.
De acordo com a SMS, o teste RT-PCR, de análise laboratorial, é realizado nos pacientes hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave, profissionais de saúde suspeitos ou nos casos de óbitos suspeitos. Já os testes rápidos aplicados pelo município e pelos laboratórios credenciados são indicados para aqueles que apresentam os sintomas característicos da doença e se enquadram como suspeitos, bem como em seus contatos, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde e do Centro de Operações de Emergência em Saúde de Minas Gerais (Coes Minas).




