Meninas do futsal dão um olé no preconceito

Ana Clara Ávila de Souza, 12 anos, Brenda Pereira Gomes, 16 anos, e Heylamara Débora Dias, 22 anos, cresceram vendo os pais e irmãos jogando bola, praticando um esporte que é a paixão nacional, e não tiveram dúvidas:o futebol estava em suas veias. Na verdade, só precisavam de um “empurrãozinho” para quepudessem fazer parte desse […]

Meninas do futsal dão um olé no preconceito
Ana Clara Ávila de Souza, 12 anos, Brenda Pereira Gomes, 16 anos, e Heylamara Débora Dias, 22 anos, cresceram vendo os pais e irmãos jogando bola, praticando um esporte que é a paixão nacional, e não tiveram dúvidas:o futebol estava em suas veias. Na verdade, só precisavam de um “empurrãozinho” para quepudessem fazer parte desse universo, antes, tido como domínio masculino.
 
O “pontapé” inicial para que praticassem o esporte surgiu em junho deste ano, ao se matricularem em uma Escolinha de Futsal Feminino, promovida por um clube no bairro Vila Tanque, em João Monlevade. Desde então, é comum vê-las aos domingos participando dos treinamentos passados pelo técnico Charles Antônio Aguiar.
 
Entre dribles e chutes a gol, elas mexem nos cabelos, arrumam os coletes e não perdem a concentração. Aliás, conseguem acompanhar tranquilamente as orientações do professor. “É muito mais fácil trabalhar com elas do que com os meninos, em função da responsabilidade e persistência. Elas são mais dedicadas”, garante Charles. Ele tem experiência de 12 anos na área, treinando times femininos e masculinos e reconhece que as suas atletas convivem, ainda nos dias de hoje, com a discriminação. “Mas a gente já está conseguindo quebrar esse paradigma. Com charme e beleza elas conseguem jogar um esporte universal e até melhor que muito marmanjo” conta.
 
“Não temo o preconceito e a escolinha nos motiva”, garantea ala direita da categoria infantil(11 a 13 anos) Ana Clara. Ela possui diversas amigas que participam de outras escolinhas em Monlevade. Segura do que deseja para si, a pré-adolescente lembra que não perde um jogo da Selação Brasileira de Futebol Feminino e tem na atacante Marta, a referência para seguir com o seu sonho. “Ela e responsável por ajudar a diminuir o preconceito contra as atletas dessa modalidade”, diz orgulhosa.
 
Outra admiradora da jogadora é Brenda. Graças às conquistas da atleta, a adolescente se entregou ao esporte de corpo e alma. Entretanto, ela confessa que a sua primeira tentativa, aos 15 anos, não foi bem sucedida, porque no segundo dia de treino teve o tornozelo torcido ao disputar a bola com uma adversária. “Fiquei duas semanas com meu pé inchado. Minha mãe, preocupada, me tirou da escolinha”, lembra a ala esquerda da categoria juvenil (acima dos 14 anos). Mesmo não sendo fácil, ela conseguiu convencer a mãe a deixa-la voltar. O difícil mesmo foi driblar a marcação do namorado Felipe, que acompanha os seus treinos, torce, apoia, mas não gosta que a vaidosa garota passe batom.
 
Diferente das colegas do time, Heylamara não sonha em se profissionalizar. Ela tem contato com a bola desde seus cinco anos, quando jogava com os meninos da sua rua no bairro Lucília, e nunca ligou para as críticas. Levou seu gosto pelo esporte para as aulas de Educação Física, o que chamou a atenção de professores.O potencial da jovem, em 2004, rendeu um convite para ingressar na Seleção Feminina de Futebol de Monlevade, que foi prontamente recusado. “Não quis, porque eu jogo por amor”, responde ela, que atua na categoria juvenil e se destaca nas três posições, beque, pivô e ala.
 
O fato de ser a mais experiente da turma faz de Heylamara uma líder nata. As meninas sempre a ouvem em quadra e tentam seguir as suas dicas para renderem nos treinos. Para ela, o futsal feminino é menos duro que o masculino, mas não devido à fragilidade do sexo. “As meninas são mais técnicas e menos maldosas. As entradas não são para machucar e, por isso, o professor nunca precisou chamar a atenção da gente”, ressalta.
 
Com o físico e a cabeça das atletas em dia, o técnico Charles sabe que o seu trabalho somente tende a melhorar. Sobra tempo para se concentrar na avaliação do potencial de cada uma das meninas, passar os fundamentos básicos do futsal, além do treinamento tático. “Estamos pensando em iniciar esse mês com os desafios de jogos de futsal feminino do clube. Elas irão jogar contra equipes de Monlevade e região”, planeja.