Mesa do Flitabira debate poesia para além dos livros e valoriza cultura urbana

A partir da obra de Carlos Drummond de Andrade, artistas locais discutiram como o rap, o hip-hop e as artes visuais também expressam poesia e conhecimento

Mesa do Flitabira debate poesia para além dos livros e valoriza cultura urbana
Foto: DeFato Online / Jessica Santos
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O Festival Literario Internacional de Itabira (Fli) abriu a programação da manhã desta sexta-feira (30) com a mesa “E agora, Drummond? A poesia fora das páginas”. O encontro reuniu os artistas itabiranos Yang Pi, poeta, MC e produtor cultural; Karen Daynide, educadora e coreógrafa; e Gabriel Confuso, artista visual, para discutir como a poesia se manifesta além dos livros. A partir da obra de Carlos Drummond de Andrade, os participantes abordaram a relação entre literatura, música, rap, hip-hop, slam e artes visuais.

Ao longo da conversa, os artistas compartilharam como a poesia atravessa suas trajetórias e aparece em diferentes linguagens. Para Karen, ela também está nos movimentos do corpo e nas situações do cotidiano. A educadora destacou que ações comuns, como cozinhar ou caminhar, podem servir de referência para a dança e para a criação artística.

“A gente vê que o mundo é diverso, ele cabe muito mais além do que as linhas de uma página de um livro”, afirmou.

Gabriel Confuso falou sobre a relação entre a poesia e as artes visuais, especialmente o muralismo. Para ele, uma imagem também pode contar histórias e transmitir conhecimentos. O artista destacou a importância de espaços como o Flitabira reconhecerem manifestações culturais urbanas como expressões artísticas.

“Dentro do trabalho visual a gente consegue guiar o olhar, aonde se direciona o olhar do espectador e também contar essa história”, explicou.

Segundo Pi, a participação de slams e batalhas de rima na programação, pelo terceiro ano consecutivo, representa um espaço de reconhecimento para manifestações culturais que historicamente foram estigmatizadas.

“É disruptivo, assim, porque já é o terceiro ano que a gente traz algo na vertente do hip-hop, do rap. A gente sempre traz slams, batalhas. E pra estar num festival de literatura, que é um lugar onde há muito tempo atrás era algo estigmatizado, né? Onde a nossa cultura não entraria de forma nenhuma. É uma representatividade muito grande”, afirmou. 

A relação entre arte e educação foi outro ponto da discussão. Os participantes falaram sobre experiências com atividades em escolas, nas quais a poesia, a dança e as artes visuais podem estimular a participação dos estudantes e abrir espaço para que expressem suas próprias vivências. Pi citou oficinas de slam em que alunos escrevem poemas autorais e também adaptam textos de Drummond para uma linguagem mais próxima de seu cotidiano.

A conversa também passou pela importância de preservar histórias e conhecimentos que nem sempre são registrados nos livros. Os artistas apontaram que a oralidade, as experiências de vida e as manifestações culturais das ruas também produzem memória e precisam ser valorizadas. Nesse sentido, a poesia foi apresentada não apenas como uma forma de escrita, mas como uma maneira de interpretar o mundo e compartilhar experiências.