Mesmo com prazo maior, especialista orienta que Imposto de Renda não fique para última hora

Receita Federal adiou o prazo por 60 dias

Mesmo com prazo maior, especialista orienta que Imposto de Renda não fique para última hora
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Cerca de 32 milhões de pessoas físicas ganharam mais dois meses para entregarem a declaração do Imposto de Renda. O prazo, que acabaria em 30 de abril, foi estendido para 30 de junho. Contudo, a recomendação é que o contribuinte não deixe tudo para a última hora e já inicie a preparação dos documentos. Além de acelerar o processo de preenchimento do programa, quando a declaração é entregue no início do prazo, normalmente a restituição chega mais cedo.

À DeFato, o contador e professor da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi), Ângelo Garuzzi Cabral, deu dicas sobre a entrega das declarações neste ano, em um cenário de pandemia de coronavírus (Covid-19). 

“A primeira coisa que a gente enxerga é que a pandemia restringe a mobilidade das pessoas. Apesar da modernidade e ampla tecnologia, os idosos, principalmente, têm dificuldades em fazer a declaração do imposto de renda e geralmente precisam da ajuda de outras pessoas. Pensando por esse lado, talvez, para eles, fique difícil o acesso”, disse.

Por outro lado, Ângelo Garuzzi lembra que devido as inúmeras questões que a pandemia provoca, muitas pessoas não teriam o recurso para efetuar a primeira parcela, ou o valor à vista, no dia 30 de abril.

“Sob o aspecto financeiro, ganhamos dois meses para respirar. É um fôlego a mais, além de maior tempo para organizar os documentos. O planejamento é fundamental”, comentou o professor.

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Devido ao coronavírus, só estão abertos os estabelecimentos comerciais considerados essenciais, como supermercados e farmácias, por exemplo. No entanto, o trabalho não para. E, pelo home office, praticamente tudo é possível ser feito. Ângelo Garruzi orienta que a separação dos documentos exigidos seja feita com calma. Se possível, os documentos devem ser escaneados e enviados para o contador de confiança do contribuinte.

“Muitos contadores já estão recebendo os documentos na plataforma virtual. A expansão do prazo é um facilitador. Quem não tiver um scanner em casa pode baixar o aplicativo no celular para facilitar o envio dos documentos para a contabilidade. Aqui no meu escritório devo ter recebido em torno de 70% das declarações de imposto de renda por e-mail. Quando o cliente tem um caso mais específico, é claro, a gente busca outros recursos, como videochamada, por exemplo”, declarou o professor.

Entenda

O anuncio da prorrogação do prazo para fazer as declarações do imposto de renda foi feito ontem (1º), pelo secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto. Receita concordou em prorrogar o prazo depois de ouvir relatos de contribuintes confinados em casa com dificuldades em obter documentos na empresa ou de conseguir recibos com clínicas médicas para deduzirem gastos.

Sobre a possibilidade de rever o cronograma de restituição para quem já entregou a declaração, o secretário disse que ainda vai reavaliar a medida. Neste ano, a Receita tinha reduzido, de sete para cinco, o número de lotes de restituição e antecipado o primeiro lote de 15 de junho para 30 de maio.

Tostes também anunciou a total desoneração, por 90 dias, de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito. A medida terá como objetivo baratear as linhas emergenciais de crédito já anunciadas pelo governo. Segundo ele, o governo deixará de arrecadar R$ 7 bilhões com a desoneração.

A última medida anunciada pelo secretário foi o adiamento das contribuições de abril e de maio para o Programa de Integração Social (PIS), o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição patronal para a Previdência Social, paga pelos empregadores. As parcelas só serão pagas de agosto a outubro, permitindo a injeção de R$ 80 bilhões na economia.

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