Ministério Público denuncia Mita e outros 40 por tráfico de drogas

Mita (D) e mais cinco acusados foram presos durante a megaoperação da PC em 18 de fevereiro

Ministério Público denuncia Mita e outros 40 por tráfico de drogas
A promotora de Justiça da Comarca de Itabira, Sílvia Letícia Bernardes Mariosi Amaral, formalizou denúncia contra os acusados de movimentar o tráfico de drogas no município e que foram presos em operações da Polícia Civil no começo deste ano. Ao todo, 41 pessoas, incluindo menores, foram incluídas nos artigos 28, 33, 35 e 40 da Lei 11.343/06, legislação específica para crimes que envolvam entorpecentes. De acordo com representante do Ministério Público, o líder do esquema de tráfico em Itabira é Jeremias da Silva Vieira, o Mita. Segundo a denúncia, ele comandava tudo via telefone, gerenciando a distribuição de drogas no município e em outras cidades da região, como Nova Era, João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo.
 
A denúncia da promotora se baseia em movimentações do tráfico que ocorreram entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011. Nesse período, foram várias as interceptações telefônicas, com autorização judicial, feitas pela Polícia Civil de Itabira. Foi quando, segundo Sílvia Amaral, os envolvidos se associaram, sob a chefia de Mita, para adquirir, preparar, vender, fornecer, transportar, guardar, ter em depósito e a oferecer a consumo drogas como maconha, cocaína e crack.
 
As interceptações telefônicas foram feitas nos celulares usados por Mita, pelo irmão dele Israel da Silva Vieira, por Lázaro Felipe Nunes (Lazinho ou Bené) e por um adolescente que atuava na venda das drogas e na escuta da frequência do rádio de comunicação usado pela Polícia Militar de Itabira. No total, são 21 linhas telefônicas móveis. No fim da denúncia, o Ministério Público pede que os sigilos desses números sejam quebrados e as ligações sejam entregues para o Poder Judiciário.
 
Rotas do tráfico
 
O documento entregue pela promotora ao juiz criminal substituto de Itabira, Afrânio Nardy, mostra diversos momentos em que os acusados conversaram entre si e negociam a compra ou o fornecimento de drogas. Mais do que isso, a denúncia indica os principais locais em que os entorpecentes são entregues.
 
Os bairros Nova Vista, São Cristóvão e o aglomerado Sem-Terra (bairro Drummond) são citados. Além disso, o documento também cita, algumas vezes, o “beco da Itaurb”, e as cidades vizinhas de Nova Era, São Gonçalo do Rio Abaixo e João Monlevade.
 
Alguns dos integrantes copiavam o sinal da PM para saberem onde poderiam fazer a venda e a entrega das drogas. Por isso, alguns integrantes tinham apelidos que remetiam a termos da polícia, como Copom (que é a Central de Operações).
 
Todos identificados
 
A denúncia do Ministério Público tem 37 laudas e identifica, com detalhes, a atuação de cada um dos 41 acusados dentro do esquema de tráfico de drogas. A maioria tinha papéis secundários, de distribuir as drogas. No entanto, alguns, segundo o documento, eram de extrema confiança de Mita. Eles negociavam as maiores quantidades de entorpecentes e eram os responsáveis pelas movimentações financeiras. Algumas chegavam a R$18 mil.
 
O irmão de Mita, Israel da Silva Vieira, era o homem de confiança do irmão. Segundo o Ministério Público, nas escutas da Polícia Civil ele aparece apenas uma vez, mas é porque foi preso em janeiro, acusado de ter cometido um homicídio.
 
No fim do documento, o MP pede que seja realizado exame toxicológico nos materiais apreendidos durante as operações da Polícia Civil e a elaboração de um laudo definitivo das drogas apreendidas. A promotora também pede que os advogados dos acusados sejam notificados para que apresentem suas defesas e que sejam marcadas as audiências de instrução de julgamento.