“Não adianta fazer política com a vida das pessoas”, afirma Geraldo Abade sobre hemodiálise de Barão de Cocais
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa em que foi apresentado o relatório técnico que comprovou falhas no processo de construção da unidade médica
As discussões sobre o futuro do Centro de Hemodiálise “Dr. José Celso dos Santos”, em Barão de Cocais, ganharam um novo capítulo após a divulgação da auditoria que apontou falhas técnicas, estruturais e administrativas no processo de implantação da unidade. Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (1º), o prefeito Geraldo Abade (PSD) reforçou as críticas à condução do projeto e defendeu que a saúde pública não seja utilizada como instrumento político.
Ao comentar a situação da unidade, inaugurado em dezembro de 2024, ainda na gestão passada, e que nunca entrou em funcionamento, Abade afirmou que a prioridade da administração é garantir segurança e dignidade aos pacientes.
“Eu acredito que o princípio da vida e da dignidade humana tem que ser colocado acima de qualquer coisa. Tem que ser sempre bem colocado, porque é o que vale para todo mundo. Não adianta fazer política com a vida das pessoas, querendo de uma forma ou outra, tirar proveito disso, tirar proveito da vida das pessoas”, declarou.
O prefeito destacou que a auditoria conduzida pela advogada Priscila Ramos Netto Viana trouxe elementos técnicos que, segundo ele, ajudam a esclarecer os problemas relacionados ao empreendimento. O relatório concluiu que o prédio não reúne condições legais, regulatórias, de engenharia e de segurança para funcionar como um centro de hemodiálise.
“Isso é uma forma de trazermos aqui uma situação muito forte. Foi feita uma auditoria muito bem dirigida pela doutora Priscila, mostrando realmente os fundamentos que têm que ser colocados e também as falhas gravíssimas que estão sendo encontradas aqui dentro”, afirmou.
Durante a coletiva de imprensa, Geraldo Abade também ampliou as críticas à situação encontrada na rede municipal de saúde ao assumir o governo. Segundo ele, a atual administração precisou realizar investimentos para recuperar estruturas e ampliar a capacidade de atendimento à população.
“Nós pegamos um hospital, uma saúde de Barão completamente destroçada e acabada. Não tinha comida para os pacientes, não tinha uma agulha para aplicar uma injeção, não tinha equipamento nenhum direito. No último ano foram comprados diversos equipamentos, muitos por emendas parlamentares que os próprios vereadores trouxeram. A prefeitura também investiu muito recurso aqui no hospital e na UPA [unidade de pronto atendimento], trazendo assim dignidade e condições da pessoa ter pelo menos um atendimento digno aqui em Barão de Cocais”, disse.
Apesar das críticas ao projeto da hemodiálise, o prefeito afirmou que não descarta a possibilidade de o município contar com o serviço futuramente, desde que haja viabilidade técnica e segurança para os pacientes. “A hemodiálise, sinceramente, se houver algum tempo de termos esse serviço em Barão, será muito bem-vindo, mas nós temos que pensar na saúde e na vida das pessoas, nesse momento é isso o que a gente está pensando”, declarou.
Atualmente, 23 moradores de Barão de Cocais realizam tratamento de hemodiálise fora do município, sendo 18 em Itabira e cinco em João Monlevade. Paralelamente à divulgação da auditoria, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê o aumento do auxílio concedido aos pacientes, passando dos atuais R$ 139,92 para R$ 1.000 mensais.
Ao encerrar sua fala, Abade voltou a defender que a saúde pública seja tratada como uma política de Estado, independentemente de disputas partidárias.
“Saúde não deve ser usado para fazer política. O prefeito, o governador, o presidente tem que pensar numa saúde para todos, mas como política pública. É isso que eu penso, é isso que a gente tem que exercitar, é isso que tem que ser feito”, finalizou.
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