“Não podemos deixar 120 mil pessoas sem água”, diz Marco Lage ao falar sobre o racionamento em Itabira

“Se vai faltar água na cidade, que falte também no bairro onde o prefeito mora, onde o diretor da Vale mora”, disse Marco Antônio Lage

“Não podemos deixar 120 mil pessoas sem água”, diz Marco Lage ao falar sobre o racionamento em Itabira
Foto: Felipe Augusto/Ascom PMI
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O prefeito Marco Antônio Lage (PSB) comentou à imprensa, nesta quinta-feira (25), sobre os problemas no abastecimento de água que Itabira, que ocasionaram o racionamento na distribuição de água, em razão da severa estiagem que atinge o município e compromete o nível dos mananciais. A medida, aprovada pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG), entrou em vigência ontem (24) e terá validade até 30 de novembro, podendo ser prorrogada caso o cenário crítico persista.

De acordo com o plano emergencial do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a cidade foi dividida em seis regiões. Cada uma terá o fornecimento interrompido um dia por semana, das 7h30 às 21h. Aos domingos, não haverá suspensão da distribuição de água.

Em entrevista à imprensa, o prefeito afirmou que a crise hídrica em Itabira é um problema que se arrasta há mais de duas décadas, onde a solução definitiva passa pela captação de água do Rio Tanque, obra bilionária que já começou a ser executada pela mineradora Vale. O sistema, segundo Marco Lage, deve estar concluído em até três anos, prazo que a administração municipal espera antecipar para minimizar os impactos da falta de abastecimento.

Enquanto a estrutura definitiva não fica pronta, o prefeito afirmou que o município continuará a manter medidas emergenciais para garantir o fornecimento à população, como a perfuração de poços artesianos, o uso de caminhões-pipa e um acordo com a Vale para transferir parte da água utilizada pela mineradora para a rede pública. “Não podemos deixar 120 mil pessoas sem água”,

Ao mencionar o racionamento de água, Marco Antônio Lage afirmou que a medida busca justiça social, fazendo a água faltar de maneira igualitária em áreas centrais e periféricas. “Se vai faltar água na cidade, que falte também no bairro onde o prefeito mora, onde o diretor da Vale mora”, disse. Por fim, como orientação, o chefe do Executivo pediu que a população colabore, evitando desperdícios e entendendo o caráter coletivo. “Não tem água para todo mundo, então é preciso economizar”, alertou.

Protestos

Na terça-feira (23), moradores do bairro Jardim das Oliveiras promoveram uma manifestação após passarem vários dias sem água. Eles atearam fogo em pneus, interditando o trânsito de veículos nas proximidades das ruas Ouro Preto e Venda Nova. 

Já na quarta-feira (24), um grupo de moradores iniciou um novo protesto na rua Arco Íris (antiga rua Um), no bairro Nova Vista, também em decorrência da falta de água no bairro. Porém, após colocarem objetos na via para atearem fogo e chamar a atenção das autoridades para o problema, viaturas da Polícia Militar chegaram e desarticularam a ação dos manifestantes.

Na ocasião, o Saae enviou caminhões-pipa para abastecer as caixas d’água na região. No mesmo dia, após contato do radialista Vagner Ferreira, da Rádio Caraça FM, a autarquia informou que durante o dia dois caminhões-pipa já haviam sido encaminhados à comunidade e que encaminharia outro veículo para dar suporte aos moradores afetados.

Situação crítica dos mananciais

A falta de chuvas entre abril e setembro reduziu drasticamente a vazão das principais estações de tratamento de água (ETA) de Itabira. A ETA Pureza, que atende 60 bairros, caiu de 130 l/s para 94 l/s, mesmo após a implantação de uma captação emergencial em agosto.

Já a ETA Gatos, responsável por quase um quarto da cidade, opera com apenas 20 l/s — contra 80 l/s em períodos normais. Ao todo, essas duas unidades abastecem cerca de 80 mil moradores, o equivalente a 74% da população.

Para mitigar os efeitos da estiagem, o Saae vem adotando uma série de ações desde agosto. Entre elas, estão:

  • ⁠⁠Captação emergencial no córrego Rio de Peixe, com reforço diário de até 5 mil m³;
  • ⁠Aumento do fornecimento de água importada pela Vale (TAC 4) em 1.296 m³ por dia;
  • ⁠Reuso de água na ETA Gatos, recuperando 180 m³ por dia;
  • ⁠Correção de mais de mil vazamentos para reduzir perdas na rede;
  • ⁠Campanhas educativas de conscientização para o uso racional da água.

Serviços essenciais terão prioridade

A Prefeitura de Itabira e o Saae garantem que unidades de saúde, escolas, creches, asilos e outros serviços públicos essenciais não serão prejudicados. Em caso de necessidade, caminhões-pipa serão disponibilizados mediante solicitação.

A administração municipal pede à população que colabore com o uso consciente da água durante o período de racionamento, destacando que a medida é indispensável para atravessar uma das estiagens mais severas já registradas no município.