“O Flitabira é um festival inovador em todos os campos”, afirma o jornalista Afonso Borges
O Festival Literário Internacional de Itabira, o Flitabira, começa nesta quarta-feira. A sua programação conta com importantes nomes da cultura e literatura mundial

Começa nesta quarta-feira (27) a primeira edição do Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) — e segue até o dia 31 de outubro. Em formato híbrido, com atividades presenciais e on-line, a programação conta com mais 100 convidados, que se revezam em debates, palestras, leituras, exposição, dança teatro, música e gastronomia. O portal DeFato conversou com o jornalista Afonso Borges, idealizador e curador do Flitabira, sobre a organização desse evento que coloca a cidade na rota dos grandes festivais literários.
DeFato: como foi o processo de montagem da grade de programação para o Flitabira?
Afonso Borges: o Flitabira trabalha com um tema proposto, que é relacionado a Drummond, ‘A Pedra e o Sino’. A ‘pedra’ é voltada para o poema de Carlos Drummond de Andrade, “No Meio do Caminho”, que eu considero um dos maiores poemas do século XX, e o ‘sino’ é relacionado ao sino Elias, que Drummond, até 14 anos, ouvia na Catedral Nossa Senhora do Rosário — então tem um papel histórico na vida dele. Além de que os sinos têm uma simbologia própria ao anunciar grandes acontecimentos, desde velórios até festas; e ‘no meio do caminho’, a pedra, inclina-se até politicamente um pouco para o que estamos passando.
Então, esses temas se misturam e, ao mesmo tempo, colocam um pé no mercado editorial, ou seja, vamos fazer lives e eventos com grandes autores brasileiros. Entre eles, por exemplo, Itamar Vieira Júnior, com [o livro] ‘Torto Arado’, que é o grande sucesso literário dos últimos anos.
DeFato: quais foram os critérios usados para selecionar os nomes que participarão do evento?
Afonso Borges: critérios têm a ver com curadoria. Curadoria tem a ver com a reunião de temas e mercado editorial. Então, como disse, vamos elevar os temas relacionados a Carlos Drummond de Andrade e, por outro lado, as pessoas que estão lançando livros agora. O festival funciona com atualidade, com o que há de melhor sendo lançado no mercado.
DeFato: o tema central do Flitabira é a “A Pedra e o Sino”. Por que a escolha dessa temática? Como ela será observada durante o evento?
Afonso Borges: o importante é dizer que o tema estará no Flitabira sempre relacionado com os assuntos que Carlos Drummond de Andrade tratou durante toda a sua vida. Esse será o mote de todas as edições do Flitabira que realizarmos — planejado inicialmente para dez anos. Nós vamos formar ao longo desses dez anos uma geração leitora, como fizemos no Fliaraxá, que já tem dez anos. Mas aqui é uma cidade absolutamente literária, já existe um caminho pavimentado e é só colocar as pedras no seu lugar.
DeFato: qual a sua expectativa para essa primeira edição do Flitabira?
Afonso Borges: a expectativa é de que as pessoas entendam que esse é um festival totalmente inovador. Não é fácil fazer um festival 24 horas por streaming. Uma coisa é você fazer um planejamento de TV e colocar no ar, pois está tudo pré-planejado. Mas no streaming não é assim, ele tem muitas nuances que vão de iluminação e equipamento adequado até uma equipe que entenda do assunto. E isso nós temos!
Então, o que é mais importante que as pessoas entendam, e essa é a minha expectativa, que o Flitabira é um festival inovador em todos os campos. Ele vem com o digital forte e 24 horas no ar, pelas redes; ele vem com um presencial conceituado interessante, inteligente e combinado com o digital. Por exemplo: enquanto a Suely Machado estiver apresentando o Primeiro Ato no palco [na abertura do evento, nesta quarta-feira], o que não será transmitido [pela internet], ao mesmo tempo, no digital, estará acontecendo a live com o Mia Couto falando sobre Itabira. Então são coisas que confluem e se misturam. É totalmente desafiador, tem que ter coragem para encarar isso da forma como estamos encarando: 24 horas no ar e combinando o digital com o presencial.
DeFato: o que o itabirano pode esperar desse evento?
Afonso Borges: o itabirano pode esperar, em primeiro lugar, respeito. Estamos aqui respeitando as tradições e as pessoas. A primeira palavra que colocamos, ao começar esse festival, lá na entrada, foi: ‘pedimos desculpas pelo transtorno de fechar uma rua’. Antes disso fizemos uma grande exposição, ‘Ocupação Dom Quixote – Portinari e Drummond’, lá na praça do Areão, na entrada de Itabira, como sinal de respeito.
Em segundo, que o itabirano entenda que estamos apenas confirmando o que já existe aqui de tradição literária, de cultura em todos os campos. O Flitabira não vem para inventar nada, vem apenas para dar potência ao que já existe.
Confira a programação do primeiro dia:
17h – O Congado Cortejo Marujadas abre o Flitabira em passeio saindo da Igreja do Rosário dos Homens Pretos em direção à Praça do Centenário, com previsão de chegada às 18h, quando será liberado o acesso ao espaço literário-gastronômico ali instalado;
18h – Danilo Miranda (Sesc SP) e Luiz Eduardo Osorio (Instituto Cultural Vale) conversam sobre “Cultura Pós-Pandemia”. Afonso Borges fará a mediação, em transmissão ao vivo, gerada da Casa de Drummond e transmitida nas redes do Festival e no telão montado no evento;
19h – Em edição inédita, Mia Couto conversa com Afonso Borges sobre o seu mais recente livro, “O Mapeador de Ausências”, onde fala de sua terra natal, Beira, em Moçambique, comparando com Itabira. Digital, com acesso pelas redes do Festival;
20h – Da Catedral Nossa Senhora do Rosário, onde está o Sino Elias, o Mestre Sineiro Thiago Neves vem de Ouro Preto, exclusivamente para um concerto de sinos;
20h10 – Do Palco Principal, montando no evento, Cerimônia de Abertura, com as presenças do Prefeito Municipal, Marco Antônio Lage, da Gerente Executiva de Investimento Social e Cultural da Vale, Flavia Constant e do Coordenador Geral do Festival, Afonso Borges;
20h30 – Do Palco Principal, montado no evento, Antonio Carlos de Almeida Castro (Kakay) fala poemas de Drummond e Mia Couto, presencialmente;
21h – Do Palco Principal, montando no evento, o Grupo de Dança Primeiro Ato apresenta o espetáculo “Sem Lugar”, baseado na obra de Carlos Drummond de Andrade, presencialmente;
Enquanto acontecem as atividades presenciais, nas redes do @flitabira rodam uma homenagem à Mia Couto, com a reprise de diversos debates mediados por Afonso Borges.
Clique aqui e acesse a programação completa do Flitabira.
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SERVIÇO
Festival Internacional Literário de Itabira – Flitabira
Data: de 27 a 31 de outubro de 2021 — quarta a domingo
Formato: híbrido — Casa de Drummond, Centro Itabira e pelo Youtube Flitabira
*Obrigatório apresentar comprovante de vacina Covid-19 para acesso das atividades presenciais.




