O futuro da Vale

Mina Cauê-1942: reserva da Vale na serra da Serpentina se assemelha à de Itabira no início das operações.

O futuro da Vale
Matéria publicada na edição 255 da Revista DeFato
 
Em entrevista exclusiva a DeFato no ano passado, o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, confirmou que a Vale tem termos de compromisso assinados com o Estado para investir em Conceição do Mato Dentro. Na época ele não informou quando, mas especula-se que a partir de 2015/2016 a mineradora comece a fazer investimentos pesados na região.
 
O assunto, na ocasião, também foi tema de reportagem do jornal Diário do Comércio, referência em economia em Minas Gerais. A Vale, por enquan­to, evita dar detalhes sobre suas inten­ções, mas recentemente instalou no município uma lavra experimental, de onde extrairá 800 toneladas de minério para refinar as sondagens.
 
De acordo com o secretário mu­nicipal de Meio Ambiente de Concei­ção do Mato Dentro, Sandro Heleno, a empresa é a que mais tem mais di­reitos minerários na região do Médio Espinhaço. Pedidos de licenciamento  junto aos órgãos ambientais estariam sendo feitos, bem como a outorga para uso dos recursos hídricos ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).
 
A reserva da mineradora fica no serra da Serpentina. A quantidade de miné­rio presente no local equivale às jazi­das de Itabira em 1942, quando nascia a então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Procurada, a mineradora confir­mou, sem detalhes, que tem prospec­ções em andamento no município. “A Vale faz pesquisas e estudos na região de Conceição do Mato Dentro bem como em outras áreas do estado. No momento, não há qualquer previsão de projetos para a área citada”, diz a nota.  O prefeito conceicionense, Reinal­do César de Lima Guimarães (PMDB), afirmou que a companhia vem adqui­rindo propriedades ao redor da área onde detém reservas minerais. “A Vale declara que está em fase de estudos. Sabemos que desde a década de 1970 toda a região é estudada”, afirma.
 
O teor de ferro do material a ser explorado é alto, acima dos 60%. Fon­tes ligadas ao setor informam que a empresa já teve intenções de explorar a serra da Serpentina em épocas ante­riores, mas decidiu retardar o projeto devido à logística. Como outras minas foram abertas (Brucutu, em São Gon­çalo do Rio Abaixo, por exemplo), a área ficou reservada para uma ocasião mais propícia.