Papa Francisco reage a ameaças de cisão na igreja após bênção a LGBTQIAPN+
Decisão do chefe do Vaticano ocorreu em dezembro de 2023
Após autorizar bênçãos a casais do mesmo gênero em meados de dezembro, o Papa Francisco vê sua decisão provocar a ira entre setores conservadores da igreja católica. Minimizando as críticas, Francisco disse que a possibilidade de uma cisão na igreja é ventilada por pequenos grupos.
Ao jornal italiano La Stampa, o Papa disse que: “Devemos deixá-los à vontade e seguir em frente”. A entrevista se deu na segunda-feira (29) e o Papa não especificou quais seriam esses grupos.
A autorização concedida pela igreja vem motivando debates, com bispos em alguns países se recusando permitir que seus sacerdotes implementem a bênção a casais LGBTQIAPN+.
A resistência maior ocorre em países africanos, onde a prática sexual entre pessoas do mesmo gênero pode levar á prisão ou até a morte em algumams regiões.
Na entrevista, Francisco se diz confiante de que os críticos acabem entendendo os propósitos da medida e acrescentou que os católicos africanos “são um caso à parte”. “Para eles, a homossexualidade é algo ruim, do ponto de vista cultural. Eles não a toleram”.
Segundo o Papa, “Me perguntam (os críticos) como é possível a bênção a casais do mesmo gênero. Eu respondo: o Evangelho é para santificar a todos, é claro, desde que haja boa vontade. Somos todos pecadores: então porque fazer uma lista de pecadores que podem entrar na igreja e outra lista dos que não podem entrar na igreja? Isso não é o Evangelho”.
Desde a declaração, divulgada em 18 de dezembro, o Vaticano tem se esforçado para enfatizar que as bênçãos não significam endosso ou “absolvição de atos homossexuais” -que a igreja considera pecados- e que não devem ser vistas como algo equivalente ao sacramento do matrimônio para casais heterossexuais.
Apesar de um esclarecimento divulgado no comêço do mês pelo escritório doutrinário do Vaticano, não se conseguiu arrefecer as críticas feitas pelos bispos africanos. Líderes da igreja no continente emitiram uma carta dizendo que a decisão havia causado uma “inquietação na mente de muitos” e que não poderia ser aplicada devido ao contexto cultural na região.
A declaração que autoriza a bênção, conhecida por seu título em latim Fiducia Supplicans (confiança suplicante), foi emitida pelo departamento doutrinário do Vaticano e aprovada pelo Papa.
Embora a iniciativa do Papa tenha agradado a muitos, conservadores acreditam que isso poderia abalar os fundamentos da fé e até levar a um cisma na igreja.




