Participação nos lucros beneficia 67 mil metalúrgicos em MG

Reforço mais que bem-vindo ao bolso numa época de muitas dívidas para saldar, as gratificações conquistadas pelos metalúrgicos dos setores automotivo, siderúrgico e de bens de capital (máquinas e equipamentos) relativas à participação deles nos lucros ou resultados das empresas (as PLRs) devem passar de R$ 83,4 milhões. A bolada constitui a segunda e última […]

Reforço mais que bem-vindo ao bolso numa época de muitas dívidas para saldar, as gratificações conquistadas pelos metalúrgicos dos setores automotivo, siderúrgico e de bens de capital (máquinas e equipamentos) relativas à participação deles nos lucros ou resultados das empresas (as PLRs) devem passar de R$ 83,4 milhões. A bolada constitui a segunda e última parcela baseada no desempenho das indústrias no segundo semestre do ano passado nas regiões metropolitana e Central de Minas Gerais. Cerca de 67 mil trabalhadores foram beneficiados. A recompensa surpreende, ante o empenho para cumprimento de metas de produção, produtividade e qualidade num cenário ainda bastante afetado pelo tombo que esses segmentos de peso da economia mineira sofreram com os efeitos da escassez do crédito no mundo. Os valores que estão sendo pagos variam de um a três salários nominais do empregado.

O balanço de toda a remuneração extra paga em 2009 ainda demora a ser feito pelos sindicatos, alguns estão envolvidos na apuração de valores. O desembolso da segunda parcela, retrato do rumo que as PLRs tomaram depois da turbulência na economia, somou R$ 47 milhões nas 12 principais empresas do polo industrial de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, no entorno da capital mineira. Todas elas são da indústria automotiva, capitaneadas pela Fiat Automóveis, responsável por uma fatia aproximada de R$ 40 milhões. O pagamento será concluído esta semana.

Diminuiu o número de acordos e a maioria das negociações só estava concluída no fim do primeiro semestre de 2009, como reflexo da crise, conta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e região, Marcelino da Rocha. Foram celebrados 55 acordos, beneficiando 30 mil trabalhadores, da base de 40 mil. Parte das convenções embutiu reajuste de 20% frente a 2008. Nos períodos mais produtivos de 2007 e 2008, 85 acertos chegaram a ser feitos, ainda que num universo muito distante do total de empregados de 400 empresas associados à entidade. Isso, embora 75% da categoria tenha sido contemplada.

“A volta do crescimento econômico favorece o cenário das negociações, mas sabemos que muitas empresas não repuseram o quadro de empregados pré-crise, apesar da produção superior a de 2008”, afirma Marcelino da Rocha. Concorda com ele Geraldo Valgas, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, que estima uma injeção de R$ 25 milhões até o mês que vem nas contas de 30 mil empregados da região. Houve acréscimos de 10% a 15% nas gratificações, consequência do esforço dos trabalhadores na maioria das empresas que cumpriram metas ligadas à produção e produtividade no fechamento de 2009. “Em meados do ano passado, as PLRs chegaram a cair até 30% nas grandes empresas. Agora, a realidade é bem diferente, já que elas estão acreditando no crescimento econômico”, afirma Valgas.

Na Região Central do estado, a participação dos metalúrgicos no resultado das empresas, especialmente as grandes companhias como a Gerdau Açominas, de Ouro Branco, superaram as expectativas, segundo Carlos José Ribeiro Cavalcante, diretor do sindicato local da categoria. “O grande segredo é estabelecer metas dentro de um ponto de equilíbrio. Se a empresa ou os trabalhadores param de ganhar, o programa perde o sentido”, afirma Cavalcante. O montante R$ 11,4 milhões foi pago em janeiro a aproximadamente 7 mil metalúrgicos não só de Ouro Branco, como de Congonhas, São Brás do Suaçuí, Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios, Cristiano Otoni, Carandaí, Jeceaba e Itaverava. A segunda parcela da remuneração correspondeu a 1,25 salário nominal, em torno de R$ 1.620, com base no vencimento médio da categoria de R$ 1.300.

Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, os últimos depósitos serão feitos nas contas dos metalúrgicos em maio, referentes à PLR concedida por grandes empresas a exemplo da ArcelorMittal. A siderúrgica negociou o pagamento de remuneração extra, relativa a todo o ano passado, no valor de R$ 5,5 mil a R$ 7 mil, conforme a parcela variável dos vencimentos. Quase metade dos 8 mil empregados da categoria recebem participação nos resultados das empresas, estima Edemir Guimarães, diretor do sindicato local dos metalúrgicos. “A retomada da produção da indústria é bom sinal de negociações mais favoráveis este ano”, afirma o sindicalista. As perspectivas são as mesmas no Sul de Minas, conta José Carlos Sobrinho, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e região.