Pastor belo-horizontino ajuda brasileiros recém-chegados nos EUA a sobreviverem em tempos coronavírus 

Evandro Maurício de Souza, 42 anos, mora na cidade de Kissimmee, na Flórida, junto com a esposa e seus cinco filhos 

Pastor belo-horizontino ajuda brasileiros recém-chegados nos EUA a sobreviverem em tempos coronavírus 
Família de Evandro e Luciana reunida

Há 20 anos morando nos Estado Unidos da América (EUA), Evandro Maurício de Souza tem 42 anos e saiu de Belo Horizonte ainda jovem para buscar novas oportunidades e viver o sonho americano. Ele e a esposa Luciana Menezes de Souza, de 37 anos, vivem com os cinco filhos na cidade de Kissimmee, na Flórida. Juntos, o casal tem ajudado muitos brasileiros recém-chegados no país a se restabelecerem e, principalmente, a sobreviverem diante da pandemia de coronavírus.

Nesta quarta-feira (15), somente o estado da Flórida, onde Evandro reside, registrou 21.367 casos confirmados de Covid-19 e 524 mortes. Em todo o país, o número de casos confirmados chega a 1,9 milhão, com 127.601 mortes. Ao todo, 500.819 pacientes foram curados do coronavírus nos EUA. Devido à pandemia, a maioria dos moradores da Flórida estão em isolamento social ou em quarentena. Com isso, o desemprego aumentou e a dificuldade em se manter no estado também. Para alguns brasileiros que foram para lá em busca de melhores condições de vida, o cenário tem se apresentado de forma bem diferente, com muita  insegurança e preocupação.

“Uma coisa que tem me preocupado são as famílias de brasileiros que chegaram há pouco menos de três anos no país e estão passando muita dificuldade. Nós temos ido a vários lugares que distribuem comida. A nossa igreja também  faz esse trabalho. As empresas grandes têm começado a dispensar funcionários e o emprego está ficando cada vez mais difícil”, relata Evandro.

Igreja Brasileira de Kissimmee

Como membros da Igreja Brasileira de Kissimmee, Evandro e Luciana realizam vários trabalhos para dar suporte aos brasileiros. Eles ajudam a encontrar uma casa para morarem, recebem doações de mobília para a residência, auxiliam na matrícula das crianças em escolas e ajudam também a tirarem carteira de motorista. Em alguns casos, o casal ainda auxilia na busca por um advogado para efetuar a troca de visto, se necessário.

“Como nossa igreja tem redes sociais, muitos brasileiros nos procuram para perguntar como é os EUA e como  poderiam vir para cá. Assim, passamos a ideia de como é chegar aqui com a família, os recebemos quando chegam. A gente ajuda a restabelecer a vida para que eles possam manter o contato com a igreja e com as comunidades brasileiras”, afirma o belo-horizontino.

Atualmente, Evandro e Luciana são pastores na Igreja Brasileira de Kissimmee e, além do suporte estrutural, eles também oferecem acolhimento aos recém-chegados, com  palavras de fé e apoio emocional. De acordo com Evandro, no momento, uma família que acabou de chegar do Japão está sendo acolhida por eles, por exemplo.

“Tudo é muito novo e todos precisam desse auxílio. É tudo voluntariamente, somente pelo prazer de ajudar alguém. Ajudamos a controlar a emoção de um novo tempo, um propósito de Deus para buscar um padrão de vida melhor, principalmente para os filhos. Às vezes as pessoas querem desistir e nós buscamos a força em Deus para continuar. A adaptação nesse primeiro momento é muito difícil, matricular na escola é difícil e várias outras coisas. Eles se sentem acolhidos, bem recebidos, por meio do carinho e do afeto que nos abraçamos a causa deles”, disse o pastor.

Evandro conta que busca conscientizar as pessoas para que prestem  atenção nas autoridades e que a crise seja superada rapidamente.“Sentimos pela incerteza de quem chegou recentemente. Muitos não falam inglês, não entendem os dados e têm dificuldades em tomar as precauções. Às vezes somos intérpretes dessas pessoas para ajudar naquilo que podemos. É uma questão de tempo, observância e perseverança”, disse o pastor.

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Igreja Brasileira de Kissimmee

Cultos Online

Evandro e Luciana são pais de Vitória, de 18 anos, Davi Evandro, de 2, Isabela, com pouco mais de um mês, e as gêmeas de Júlia e Sofia, de 10 anos. Nesse tempo de pandemia, também decidiram ampliar a sua rede do bem e espalhar a palavra de fé pelo mundo. Por meio de cultos onlines feitos da sala de casa, eles transmitem em uma live a celebração e abrem espaços para que fiéis possam partilhar aflições, angústias, pedidos e agradecimentos.

“O governador da Flórida havia permitido os cultos com no máximo cinco pessoas. Agora, todas as igrejas estão fechadas sem cultos presenciais. Estamos fazendo a celebração online através de um aplicativo e assim vou pastoreando as pessoas. Há momentos em que o louvor toca e canta. Há outros em que eu compartilho a palavra. A transmissão também é feita no Facebook e Instagram da Igreja Brasileira de Kissime”, explica o pastor.

As expectativas a respeito das celebrações online foram superadas, segundo Evandro. Ele conta que no primeiro encontro muitas pessoas acessaram e participaram do culto, realizado aos domingos pela manhã. Ademais, o pastor disse que sempre aborda a questão do coronavírus nas orações para não deixar o medo tomar conta dos fiéis.

“Eu vou monitorando e fazendo a liturgia, recebendo pessoas durante a live.São pessoas de todas as religiões que nos acompanham, porque a gente não é uma igreja centralizada. Nós somos interdependente. Estão com a gente livres pensadores, pessoas de vários seguimentos religiosos, quem não tem religião… E todos gostam de nos ouvir ao fazer e, assim, fazemos a diferença na vida deles, com isso fortalecemos a esperança”, destacou Evandro.

Ele conta que não pastoreava no Brasil, mas sempre esteves presente na vida religiosa, por meio da graduação em Teologia e mestrado em Aconselhamento e Terapia de família. “Conclui o seminário aqui e comecei um ministério. Tem sido pujante e crescente, uma grande benção. A partir disso, nós damos cursos e atendendo famílias e pessoas”, conta Evandro, que além de pastor também é construtor e investidor no mercado imobiliário.

Igreja Brasileira de Kissimmee
Culto Online

Crise do Coronavírus

De acordo com com Evandro, a pandemia pegou a todos de surpresa, no entanto, as autoridades da Flórida foram proativas e tomaram diferentes medidas para preservar a saúde dos moradores. “Antes de acontecer os casos mais graves, eles se mobilizaram e foram preparando a população gradativamente para cumprir as medidas, como o toque de recolher das 23h às 5h”, disse Evandro.

Igreja Brasileira de Kissimmee
O trabalho teve que ser modificado,o uso de máscaras e luvas se tornou obrigatório

Segundo ele, a adaptação ao cenário de pandemia tem desacelerado as rotinas de maneira significativa. O trabalho teve que ser modificado,o uso de máscaras e luvas se tornou obrigatório. Além disso, instituições que necessitam ficar abertas precisam manter o espaço de 2 metros entres funcionários, clientes ou usuários.

Outro impacto causado pela pandemia de coronavírus foi o fechamento temporário da Disney World, um dos locais mais visitados do mundo e responsável por gerar grande parte da arrecadação da Flórida. O parque temático vai dispensar cerca de 43 mil funcionários no dia 19 de abril, após o fechamento em meados de março. Um dos setores da economia mais fortes e sólidos dos Estados Unidos, o do entretenimento, sofre com os efeitos da propagação do coronavírus. Muitos hotéis estão fechados e sem hóspedes.

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