Pegou R$ 50 mil emprestados da tia para abrir um negócio e hoje fatura R$ 60 milhões
A empresa nasceu com uma linha enxuta de colônias e batons vendidas de porta em porta por revendedores no Recife (PE)
Tinha uma ideia na cabeça para montar seu próprio negócio, mas não tinha o dinheiro para realizar seu projeto. Assim começa a história de Cândido Espinheira, fundador da Yes! Cosmetics, que recorreu à sua tia, que tinha acabado de vender um terreno e pediu R$ 50 mil emprestados para tornar realidade o seu negócio. A arriscada aposta foi feita em 2000, e vingou.
A empresa nasceu com uma linha enxuta de colônias e batons vendidas de porta em porta por revendedores no Recife (PE), e hoje a marca tem 120 franquias espalhadas pelo Brasil, prevendo fechar 2025 com um faturamento de R$ 60 milhões.
O grande lance da empresa foi o foco em franchising (franquia) empresarial, sistema pelo qual o franqueador (dono da franquia) cede ao franqueado (pessoa que pretende abrir um negócio) o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços.
“Hoje o nosso desafio é achar realmente quem quer empreender. Tem muita gente sonhando com um negócio próprio, mas pouco disposta a pagar o preço de empreender”.
Além disso, a Yes! reformulou seu modelo de quiosques, reduzindo o investimento inicial e ampliando a oferta de produtos veganos com apelo de marca nacional e preço acessível.
“Desde o começo, nunca fizemos testes em animais. E, nos últimos anos, retiramos os poucos ingredientes de origem animal que ainda existiam, oferecendo um produto ético, competitivo e de qualidade”.
Espinheira já tinha experiência com cosméticos, vendendo produtos de porta em porta com o apoio da então namorada kety de Jesus, na capital pernambucana.
Ambos eram jovens, sem dinheiro, mas com espírito comercial acentuado. “Aos 5 anos já vendia suco de laranja, morango, o que desse, nas ruas. Sempre quis ter o meu próprio negócio”.
A ideia de ter uma própria marca nasceu das limitações da revenda de produtos de terceiros. “Eu queria montar a linha do meu jeito, pensando em como o consumidor queria ser atendido. Mas com marca dos outros, você fica engessado”.
O plano foi desenhado a partir de 1998 e a Yes! foi lançada oficialmente em 2000.
“Meus pais eram concursados públicos e tinham medo da ideia. Mas minha tia tinha acabado de vender um terreno. Pedi 50 mil reais emprestados, com seis meses de carência e 36 para pagar”.
Com esse dinheiro, colocou nas ruas a primeira coleção, que constava de 12 colônias e 15 batons. Não tinha dinheiro nem para criar um catálogo.
Mas a resposta à ousadia não demorou a chegar. “Em três meses já tínhamos 3.500 revendedoras cadastradas”.
Cândido se mudou para Recife aos 15 anos, com a mãe, que havia se separado do pai, onde tudo começou e ganhou corpo com revendedoras autônomas e depois distribuidores. Em 2005, a empresa já contava com 250 distribuidores no Nordeste.
No entanto, havia uma dificuldade, era difícil atender a Região Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, quando optaram em transferir o centro de distribuição para a capital paulista, e essa medida acelerou tudo, permitindo escalar a operação e atrair novos parceiros.
Em 2012 a grande tacada: o varejo, quando perceberam que os distribuidores estavam montando suas próprias lojas sem padrão, o que os levou a testar o formato com suas próprias lojas. “Montamos mais de 60″, diz, com duras lições da experiência sobre a operação, arquitetura, atendimento e gestão”.
“Queríamos 500 lojas, mas fazer tudo com loja própria é impossível, muito caro e difícil de manter o padrão. Vimos que o franqueado podia ser esse dono na ponta, que garantiria cultura e qualidade”. A empresa estreou na feira da ABF e saiu com 20 contratos assinados, em 2016.
Hoje, a Yes! Cosmetics oferece dois modelos de franquias: quiosques a partir de R$ 109 mil e lojas físicas a partir de R$ 155 mil, com prazo médio de retorno entre 18 a 24 meses, com a pretensão de chegar a 140 unidades até o fim de 2025, com expectativa de R$ 60 milhões de faturamento.
Com mais de mil pedidos mensais de pessoas interessadas em representar a marca, a seleção é rigorosa. “A gente quer quem esteja de verdade comprometido”.
O consumidor da Yes! é diverso, mas tem algo em comum: busca qualidade sem pagar os preços das marcas importadas, atendendo homens e mulheres entre 25 e 55 anos.
Apesar do bom momento vivido pelo setor de beleza no franchising, que em 2024 arrecadou cerca de R$ 59,5 bilhões e cresceu 13,9%, segundo a ABF, o caminho é ardiloso.
“Se fosse uma pedrinha no caminho, tava bom. Mas é um monte de cascalho”, diz Espinheira.
Os desafios são o alto custo dos insumos, a dificuldade de acesso a capital de giro e a alta concorrência com as grades marcas nacionais e multinacionais. A segunda maior franquia do Brasil é do Boticário, que é do mesmo setor, com 3.700 lojas. além dos riscos com falsificações e pressão por certificação sanitária, ainda por cima o produto pirata, “que atrapalha a reputação”.




