“Perdi para o sistema”: afirma Flávio Bolsonaro em entrevista ao jornal The New York Times
Na entrevista ao NYT, Flávio insistiu que a eleição teria sido fraudada
Em sua entrevista ao jornal The New York Times, após fugir do Brasil, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi espontânea e não teve ajuda de governos estrangeiros, a despeito de indícios sugerindo o contrário.
“Fui eu que fiz tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo”, disse ao NYT na edição desta quinta-feira (5).
Segundo o NYT, porém, foi a Casa Branca quem providenciou o jatinho que o levou a Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami, nos Estados Unidos, e os carros que chegaram ao aeroporto horas antes de sua decolagem tinham placa brasileira e escolta da polícia argentina.
Nos EUA, ao desembarcar, Flávio e família receberam vistos concedidos por razões humanitárias. Em seguida, o senador, a esposa e suas duas filhas seguiram em comboio, sob escolta de oficiais americanos. Uma quinta pessoa que desembarcou junto teve a identidade protegida.
Segundo o noticiário Fantástico, da TV Globo, a operação para retirar Flávio do Brasil teria contado com a ajuda de um ex-agente do Mossad, o serviço secreto israelense.
Bela Megale, colunistas do O Globo, apontou que a fuga de Flávio estava traçada havia semanas.
Indagado na entrevista sobre como chegou aos EUA, Flávio respondeu: “Isso eu vou levar para o túmulo comigo“.
Segundo ele, a decisão de sair do Brasil foi tomada na manhã seguinte ao resultado do segundo turno das eleições, para evitar uma prisão que considerava inevitável.
Investigado no Brasil por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, Flávio, que afirma inocência, deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar à Polícia Federal a apreensão do seu passaporte.
Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio redigiu uma carta se apresentando como o “verdadeiro presidente” do Brasil. Termo depois substituído por “líder”, em uma segunda versão; um documento contestando o resultado das eleições.
Na entrevista ao NYT, Flávio insistiu que a eleição teria sido fraudada.
“Sei que não vai dar em nada. Perdi para o sistema”.
O parlamentar afirmou que pretende mobilizar aliados no exterior em favor de sua agenda, que inclui a redução da maioridade penal e a anistia ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aos condenados do 8 de janeiro.
Ao mesmo tempo, o senador evitou responder se planeja trabalhar por sanções do governo americano ao Brasil, e disse que pretende “seguir em frente” com a vida nos EUA.
“Pelo menos por enquanto. Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente“.