Perguntas formuladas ao secretário de Transportes e Obras Públicas. Sem respostas

Fuad Noman, secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais


Um discurso cheio de poesia, sensível e recheado de elogios à cultura itabirana. Toques de um verdadeiro mestre da política, como percebeu e demonstrou até mesmo o vice-governador Antônio Augusto Anastasia, a principal figura do evento. As centenas de ouvintes, entre os quais prefeitos, deputados, vereadores, vice-prefeitos, secretários municipais, devidamente assentados em todas as cadeiras do teatro do Centro Cultural de Itabira, aplaudiram efusivamente o jeito de falar do secretário, um dos homens de confiança do governador Aécio Neves.
 
Mas, à imprensa restaram, como sempre, situações que não podem ser evitadas. Leitores cobram, insistem, desejam explicações. DeFato, então, após a solenidade de assinatura de ordem de serviço para melhorias nas MGs 129 e 434, falou com Fuad Noman. Ele ouviu atentamente as colocações e questionamentos, tentou dar as respostas, mas sentiu que o tema era um fato novo na sua agenda de trabalho. Eis a questão, colocada pela reportagem:
 
“Desde quando foi inaugurada, a rodovia Itabira a Nova Era tem aumentado dia após dia o seu fluxo de veículos. Os viajantes utilizam as MGs 129 e 434 e evitam a passagem por cerca de 60 quilômetros da BR 381 para acesso ao Vale do Aço, ou retorno dessa região. As melhorias hoje iniciadas pelo governo de Minas só vão fazer crescer o tráfego na Itabira a Nova Era, que não tem estrutura sequer para suportar o volume diário de 2,5 mil veículos. O que o governo fará para resolver este problema que já existe há algum tempo e que só tende a se agravar?” — esta a primeira pergunta feita ao secretário de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais, Fuad Noman, após a solenidade desta terça-feira, 14 de julho, em Itabira.
 
O secretário Noman respondeu: “Estamos, hoje, atacando exatamente este problema, ou seja, melhorando as rodovias nesta região de Itabira”.  Ao comentarem os detalhes da fala do secretário, alguns líderes chegaram a pensar que haveria melhoramentos na Itabira a Nova Era. Mas não. Ela está em 50% de seu trecho parcialmente destruída, com remendos longos que requerem, sim, um recapeamento. Mesmo assim, essa providência não seria uma solução. Parece que a infraestrutura é que não suportará mesmo o trânsito. DeFato e DeFato Online já fizeram seguidas matérias sobre os buracos, contados às centenas, na extensão de 15 quilômetros, da Belmont à chegada da BR 381, no Trevão de Nova Era. Eles são tapados e retornam em poucos dias. Até quando?
 
MAIS PEDIDOS DE ESCLARECIMENTOS
 
A segunda pergunta feita diante do demonstrado não entendimento à questão: “O governo de Minas tem conhecimento de que a rodovia Itabira a Nova Era não teve festa de inauguração? Dizem as más línguas que o motivo é porque a obra ainda não foi concluída. O senhor sabe alguma coisa sobre isso?”
 
Um ar de desconhecimento total do problema tomou conta da cabeça do secretário. DeFato fez-lhe recordar as suas próprias palavras ditas naquela manhã: “O ato de iniciar uma obra me parece mais importante do que o de inaugurar”.
 
Ao perceber que ele continuava não entendendo as perguntas, lhe foi explicado de outra forma, e colocados os seguintes itens:
                        — estão totalmente estragados os 15 quilômetros próximos a Nova Era;
                        — por diversas vezes, o DER, utilizando a empresa contratada para os reparos comuns em rodovias, a Visor Engenharia, mandou tapar os buracos;
                        — mesmo tapados os buracos, em alguns pontos transformados em crateras, já por três vezes, a estrada não oferece boas condições de tráfego;
                        — o DER informa que continua estudando, há cerca de um ano e meio, e procurando explicações para os estragos;
                        — a explicação lógica seria o aumento na rodovia do fluxo de veículos, principalmente de carretas, mas restaria outro questionamento: por que não houve estragos nos 15 quilômetros próximos de Itabira?
 
Diante das questões, Fuad Noman pediu tempo para verificar o problema e prometeu solução a DeFato, que acompanha desde 2007, passo a passo, o problema criado e até agora sem explicações.
 
Depois da rápida entrevista, Fuad Nonan voltou a ser festejado pelo seu pronunciamento e notável presença no evento itabirano. Além do vice-governador e professor Anastasia, ele é apontado como um dos grandes articuladores de políticas técnicas do governo Aécio Neves, criador, em especial, do chamado choque de gestão, que deu fama Brasil afora à administração do PSDB em Minas Gerais.