Pesquisa descarta elo entre tipo sanguíneo e a incidência de Covid-19

A investigação foi liderada por pesquisadores da Universidade de Stanford, Escola de Medicina de Utah e do Instituto do Coração do Centro Médico Intermountain.

Pesquisa descarta elo entre tipo sanguíneo e a incidência de Covid-19
Foto: Divulgação

Recentes pesquisas apontavam que pessoas com tipo sanguíneo A eram mais suscetíveis a contrair o novo coronavírus. Contudo, uma investigação realizada nos Estados Unidos, com mais de 100 mil pessoas, apresentou que não há relação entre o tipo sanguíneo e a suscetibilidade ou não em contrair a Covid-19.

A análise foi publicada no The Journal of the American Medical Association e teve como base de dados 24 hospitais e 215 clínicas dos estados americanos de Utah, Nevada e Idaho. Todos associados ao Intermountain Healthcare, um sistema de saúde sem fins lucrativos.

A investigação foi liderada por pesquisadores da Universidade de Stanford, Escola de Medicina de Utah e do Instituto do Coração do Centro Médico Intermountain.

De acordo com o estudo, os pesquisadores não identificaram qualquer relação entre o tipo sanguíneo e as chances de contrair a Covid-19.Além disso, também foram eliminadas as hipóteses de que o fator agravaria a severidade da doença.

“O tipo sanguíneo não foi associado à suscetibilidade ou gravidade da doença, incluindo positividade viral, hospitalização ou admissão na UTI”, afirmam os autores no estudo.

Estudos anteriores

No ano passado, o jornal científico “New England Journal of Medicine” publicou um estudo que sugeria que pessoas com sangue tipo A eram mais propensas a ter a forma grave da doença. E aquelas com tipo O eram menos propensas. Antes, em maio, um estudo chinês já havia sugerido essa relação.

A base de dados utilizada nos estudos anteriores difere da investigação atual. Cientistas na Itália, Espanha, Dinamarca e Alemanha, entre outros países, compararam cerca de 2 mil pacientes em estado grave de Covid-19 com milhares de outras pessoas saudáveis ou que apresentavam apenas sintomas leves ou inexistentes.

Segundo os pesquisadores, os estudos anteriores podem ter chegado a diferentes conclusões devido aos “tamanhos de amostra menores e a natureza retrospectiva e observacional”.

Desde o começo da pandemia, em 2020, dezenas de estudos sobre o assunto foram publicados pelo mundo. Embora alguns deles tenham abordado também o fator Rh — positivo ou negativo, ou o + ou —, a maioria priorizou apenas o chamado sistema ABO.

Um trabalho de médicos atuando em Boston (EUA), publicado em julho de 2020 na revista científica “Annals of Hematology”, confirmou que pessoas com tipos sanguíneos B e AB tinham maior probabilidade de receber um teste positivo para coronavírus, enquanto os com tipo O tinham menor probabilidade.

Em outubro de 2020, um novo estudo, dessa vez dinamarques, mostrou que o tipo O teve um efeito de proteção contra a infecção por Covid-19. A pesquisa comparou a distribuição percentual por tipo sanguíneo de um grupo de 7.422 pessoas com a doença confirmada, com dados de referência de pessoas não testadas. Entre os infectados, 38% eram do grupo sanguíneo O. Na população em geral, 42% tinham o mesmo tipo de sangue.

 

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