Pesquisa Instituto Ver: Lula lidera corrida presidencial em MG; disputa pelo governo do Estado esquenta após inelegibilidade de Kalil
O levantamento, realizado entre 2 e 6 de agosto, ouviu 1.225 eleitores em Minas Gerais
A corrida eleitoral rumo a 2026 em Minas Gerais ganhou novos contornos nesta semana. Uma pesquisa do Instituto Ver, encomendada pela Rádio Itatiaia e divulgada na última segunda-feira (11), aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente das intenções de voto entre eleitores mineiros, quando o assunto é a disputa pelo Palácio do Planalto. Já para governador do Estado, o cenário se mostra aberto e sujeito a reconfigurações depois da condenação judicial do ex-prefeito Alexandre Kalil (sem partido), que teve os direitos políticos suspensos por cinco anos.
No levantamento da Itatiaia/Instituto Ver, realizado entre 2 e 6 de agosto com 1.225 eleitores em Minas Gerais, foram apresentados cenários alternativos que mostram oscilações conforme nomes do campo da direita ou centro-direita entram ou saem das simulações. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais (95% de confiança).
Em um primeiro cenário, Lula aparece com 29,1% das intenções de voto entre os eleitores mineiros; seguido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 21%; o governador Romeu Zema (Novo) com 10,4%; Tarcísio de Freitas (Republicanos), 3,7%; Michelle Bolsonaro (PL), 3,5%; Pablo Marçal (PRTB), 3,5%; Ratinho Jr (PSD), 2,3%; Ronaldo Caiado (União), 1,4%; e Flávio Bolsonaro (PL), 0,5%.
Além de 15,6% dos entrevistados afirmando que pretendem votar em branco, anular ou não votar em nenhum dos candidatos acima. Outros 8,4% estão indecisos.
Em um segundo cenário, sem vários nomes da direita e da centro-direita, Lula segue liderando, com 31% das intenções de voto. Romeu Zema aparece em segundo, com 25,7%. Na sequência, o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, com 11,9%; e o governador do Rio Grande do Sul, com 2,9%. Além de 20,5% afirmando votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos. Outros 8% se declararam indecisos.
Por fim, em um terceiro cenário, com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidata do PL à presidência da República, Lula lidera com 31,4%. Romeu Zema segue em segundo, com 23,4%; Michelle é a terceira com 18,2%; seguida pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, com 3,3%. Neste cenário, 16,3% votam nulo ou branco; e 7,5% se declararam indecisos.
Minas Gerais é estado-chave em qualquer disputa presidencial pela sua relevância numérica e pela diversidade do eleitorado. A formação de um palanque estadual forte à direita (que pode contar com apoio do senador Cleitinho ou do deputado federal Nikolas Ferreira) pode ajudar a equilibrar forças para eventuais candidaturas antagonistas à de Lula.
Por outro lado, fragmentação nesse campo, com muitos candidatos do espectro político da direita, pode favorecer o candidato do PT em cenários de segundo turno. Em suma, as decisões locais em Minas terão reflexo direto nas estratégias nacionais de 2026.
Eleições para o governo de Minas Gerais
O estudo Itatiaia/Instituto Ver também projetou alguns cenários para a eleição de governador do Estado. Sem possibilidade de reeleição para Romeu Zema — e em um primeiro cenário pesquisado —, o senador Cleitinho (Republicanos) aparece com 21,6% das intenções de voto; seguido pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), com 20,1%; o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (sem partido), com 16,5%; o senador Rodrigo Pacheco (PSD), com 7,2%; e o vice-governador Mateus Simões (Novo), com 1,8%. Além de 16,8% votando em branco, nulo ou preferindo outros nomes. E 5,6% se declararam indecisos.
Em um segundo cenário, retirando Nikolas Ferreira da disputa, Cleitinho segue liderando com 33,4% das intenções de voto; seguido de Alexandre Kalil, com 17,8%; Rodrigo Pacheco, 8,9%; e Mateus Simões, 2,6%. Enquanto 21,2% afirmaram que pretendem votar em branco ou anular o voto e outros 16% se declararam indecisos.
A decisão judicial que mudou o tabuleiro eleitoral em Minas Gerais
Em 7 de agosto de 2025, o juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte, condenou Alexandre Kalil por improbidade administrativa e determinou a perda dos direitos políticos por cinco anos — além de multa por danos morais coletivos — por suposta omissão do poder público em face de bloqueios em via pública administrados por associação de moradores. A sentença, de primeira instância, cabe recurso.
Kalil reagiu publicamente à decisão, classificando-a como equivocada e afirmando que irá recorrer. “Esse juiz perdeu o senso do ridículo… Com certeza essa decisão vai cair”, declarou o ex-prefeito em entrevistas concedidas após a divulgação da sentença.
A sentença transforma um cenário que já era competitivo em um tabuleiro de maior imprevisibilidade. Pesquisas anteriores mostravam Nikolas Ferreira em liderança para o governo de Minas e Cleitinho em segundo lugar. Kalil aparecia como terceira via em levantamentos daquele período, dessa forma, a saída temporária dele, tende a realocar votos entre os protagonistas da direita e do centro-direita e a acelerar negociações de coligações.
Um levantamento mais recente, também compilando simulações locais, mostra Cleitinho e Nikolas tecnicamente empatados em diversos cenários, reforçando a ideia de que, sem Kalil atuando de forma plena, a disputa entre esses dois nomes pode ganhar força imediata.
A corrida pelo Senado
A pesquisa Itatiaia/Instituto Ver também apurou as tendências de voto para o Senado Federal. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) e Edésio de Oliveira (PL), pai do deputado federal Nikolas Ferreira, aparecem numericamente empatados na pesquisa estimulada, com os dois aparecendo com 10,3%.
Na sequência: o deputado Eros Biondini (PL), com 4,3%; o ministro Alexandre Silveira (PSD), com 3,9%; o secretário Marcelo Aro (PP), com 2,9%; o deputado Domingos Sávio (PL) com 2,9%; o deputado Reginaldo Lopes (PT), com 2,6%; o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), com 1,9% e o deputado estadual Euclydes Pettersen (Republicanos), com 1,3%.
Porém, o número de indecisos ou de pessoas que manifestaram a intenção de anular ou votar em branco é maior do que alguns dos nomes pesquisados. No campo “Ninguém/Branco/Nulo”, 31,3% dos entrevistados fizeram essa opção, enquanto na opção “Não sabe/indeciso”, o índice foi de 28,5%.
Reações dos partidos
A princípio, o Republicanos deve procurar capitalizar qualquer espaço deixado por Kalil, tentando consolidar Cleitinho como opção competitiva e ampliando articulações regionais.
Com Nikolas em boa posição nas pesquisas de março e, agora, em agosto, o PL tende a tentar ampliar capilaridade em Minas Gerais, buscando absorver eleitores anti-establishment ou negociar composição de palanques.
Já o PSD e o centrão devem adotar uma postura cautelosa, aguardando movimentações jurídicas e negociar alternativas caso Kalil não tenha efeito prático imediato.
Enquanto o PT e o campo progressista deve monitorar a recomposição do campo adversário e tentar aproveitar a fragmentação ou consolidar alianças para manter palanques competitivos para a disputa presidencial.
E como fica?
A combinação de um levantamento recente mostrando liderança de Lula em Minas e a condenação judicial que suspendeu os direitos políticos de Alexandre Kalil muda o ritmo da pré-candidatura ao governo do estado.
Nos próximos dias, o quadro dependerá tanto de decisões jurídicas em instâncias superiores quanto da rapidez com que partidos e lideranças estaduais formalizem candidaturas e alianças.
A disputa de 2026, portanto, permanece amplamente aberta — e Minas volta a ser palco decisivo para as articulações nacionais.








