Piso salarial da Enfermagem segue indefinido em Itabira
Novo pagamento ainda não está sendo aplicado no município

Prometido por Marco Antônio Lage (PSB) em dezembro do ano passado, o pagamento do novo piso salarial da Enfermagem segue distante de ser aplicado em Itabira. A promessa foi feita durante uma visita de Maria do Socorro Pacheco, à época presidente em exercício do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG), ao município itabirano no dia 19 de dezembro. Também participaram do encontro cerca de 60 colaboradores do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) e o vereador Reinaldo Lacerda (PSDB). Na oportunidade, Maria do Socorro entregou uma homenagem aos profissionais da saúde de Itabira.
No entanto, um entrave ainda prejudica a aplicação da medida: a fonte de custeio. Segundo Alexandre Coelho, diretor executivo do HNSD, o terceiro maior empregador de Itabira, seria necessário um aporte financeiro maior da Prefeitura para que os profissionais da enfermagem recebessem os valores atualizados. Sem esse aporte, o pagamento do novo piso custaria até R$ 1,8 milhão a mais aos cofres da entidade.
“O impacto mensal gira em torno de R$ 1.800.000. Fazendo a conta anual, é um valor bastante expressivo. E a gente precisa somar junto às receitas desse reajuste para conseguirmos repassar o valor. É uma categoria que a gente tem muito respeito e tem acompanhado como vai ser o desenrolar”, diz o diretor executivo.

Hoje, segundo Alexandre, o HNSD possui cerca de 600 profissionais de enfermagem, praticamente metade do número de colaboradores do hospital. O Pronto-Socorro Municipal, administrado pelo HNSD, possui aproximadamente 100 trabalhadores da área, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) emprega 11 funcionários que também poderiam ser contemplados pelo piso. Caso a Prefeitura não reajuste os valores firmados no convênio com o Hospital Nossa Senhora das Dores, diversos destes profissionais poderiam ser demitidos.
“Com certeza todo aumento de custo impacta numa receita. E não tem como ser demagogo, há possibilidade, sim, de ter alguns cortes (de funcionários). A gente já vê algumas empresas privadas de Itabira realizando esses desligamentos, pensando numa diminuição de custos. O que é triste, mas é uma relação que o mercado pratica, e ela é comum a qualquer categoria. Nos grandes centros também já foi percebido esse enxugamento e redução de quadro por essa tentativa de contenção de gastos, uma vez que a gente tem visto um aumento expressivo na inflação, com os custos aumentando e as receitas diminuindo”, completa Alexandre.
A reportagem da DeFato também procurou o Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) e a Prefeitura de Itabira, mas não obteve retorno de ambos. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.




