Por que o Brasil faz tradicionalmente o primeiro discurso da Assembleia-Geral da ONU?
Após a fala de Lula, o presidente norte-americano Donald Trump, do país anfitrião, faz o seu discurso
A partir das 10h da terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discursar na abertura dos trabalhos da Assembleia-Geral da ONU, uma tradição que teve início em 1955.
Após a fala de Lula, o presidente norte-americano Donald Trump, do país anfitrião faz o seu discurso.
Algumas teorias tentam explicar por que o Brasil é o primeiro a se manifestar nas Assembleias Gerais.
A primeira hipótese afirma que o posto foi dado ao Brasil como “consolação” por ter ficado fora do Conselho de Segurança da Organização, uma cadeira que o Brasil persegue há décadas.
Outra hipótese insinua que, para evitar a tensão entre os Estados Unidos e a então União Soviética, por ser considerado um país neutro, o Brasil foi o escolhido.
No entanto, a versão mais difundida é de que “em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para tal, assim ganhando o direito de se pronunciar primeiro nas Assembleias da ONU”, segundo informação de Desmond Parker, à NPR, em 1910.
Também nesta terça-feira tem o Debate-Geral, principal encontro do dia.
Nome simbólico, pois não há de fato um debate entre as nações, e cada país tem o direito de fazer um discurso apresentando seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global, como um todo.
Desde a Décima sessão em 1955, o Brasil foi o primeiro a se pronunciar e os EUA em seguida, mas houve exceções:
Na sessão 38 em 1983 e na 39, em 1984, os EUA falaram primeiro e o Brasil em seguida.
Na sessão 71, em 20 de setembro de 2016, o Chade falou em segundo lugar devido ao atraso na chegada do presidente norte-americano.
Na sessão 73, em 25 de setembro de 2018, o Equador falou em segundo devido ao atraso do presidente Donald Trump.
Após a abertura da reunião pelo presidente da Assembleia Geral, a ordem dos oradores é:
Antonio Guterres, secretário geral da organização
Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral e ex-ministra das relações exteriores da Alemanha.
Brasil
Estados Unidos (como anfitrião)
Na sequência, a lista segue uma hierarquia e geralmente por ordem de chegada, com os chefes de Estado falando primeiro, seguidos pelos vices-chefes de Estado, príncipes herdeiros, chefes de governo, ministros e chefes de valor secundário de uma delegação.
A Organização das Nações Unidas foi criada em 1945, e formada por 51 membros originais e desde então chegou ao atual número de 193 membros.
Estados não-membros, denominados observadores, como a Santa Sé e o estado da Palestina, e uma entidade observadora com condição especial, a União Europeia, também pode falar.
Os líderes são orientados a se pronunciarem dentro de um limite de 15 minutos, uma regra nem sempre cumprida por alguns.
*Fonte: G1




