Prefeitura propõe repor gastos da obra da Apac caso mudem de terreno

Reunião aconteceu no gabinete do prefeito Damon

Prefeitura propõe repor gastos da obra da Apac caso mudem de terreno

O prefeito Damon Lázaro de Sena se reuniu na noite da última terça-feira, 22 de março, com vereadores, moradores do Córrego do Meio e a direção da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados de Itabira (Apac). O encontro foi solicitado pela liderança comunitária para tentar, novamente, uma forma de impedir que a unidade de atendimento da entidade seja construída onde foi determinado pela Justiça. Na ocasião, o Chefe do Executivo disse que caso a Apac escolha um novo terreno para erguer a sede, a Prefeitura se compromete a ressarcir o que já foi gasto na obra até o momento.

A Administração Municipal já ofereceu outras quatro outras áreas para a entidade, no entanto todas foram descartadas. O representante da Apac, Gladsney Pena, disse que a associação não pode ser instalada em qualquer lugar como pensam aqueles que desconhecem a metodologia, pois são necessários seguir critérios rigorosos para definir a localização.

O prefeito Damon Lázaro de Sena deixou claro que o Município não é contra a Apac e reconheceu a importância do trabalho desenvolvido aos condenados. No entanto, pediu bom senso aos envolvidos no processo, ressaltando que o objetivo comum é encontrar uma solução benéfica para todos.

Os vereadores e a líder comunitária do Córrego do Meio, Águida Martins, disseram que a maior preocupação é a impossibilidade de instalar o Parque Tecnológico na área onde está sengo erguida a instituição. “A construção da Apac na nossa comunidade está sendo imposta. Não somos contra a entidade, mas não a queremos perto de nós. Precisamos do Parque Tecnológico que vai gerar emprego e desenvolvimento para Itabira. E os dois não podem permanecer no mesmo local. Os projetos são divergentes”, disse Águida.

Gladsney afirmou que o Parque Tecnológico e a Apac são convergentes. Disse ainda que a entidade é favorável ao empreendimento. “A futura implantação do Parque Tecnológico é uma iniciativa totalmente convergente com o projeto Apac. Uma cidade que planeja seu futuro, precisa equilibrar os aspectos econômicos, ambientais e sociais, cuidando da qualidade de vida de seus cidadãos”.

Segundo os vereadores, caso a entidade aceite uma nova área doada pela Prefeitura, a votação na câmara será realizada em caráter de urgência, aprovando o que for necessário. Pediram também a paralisação da obra, até que outro terreno seja encontrado. A solicitação foi negada pela entidade com a justificativa de ter que cumprir o cronograma de serviços.

Motivos

Em comunicado enviado recentemente à imprensa, a direção da Apac pontuou os motivos que fizeram a associação descartar os terrenos oferecidos pela Prefeitura de Itabira. Em algumas justificativas, a entidade questionou quem pagaria a conta de investimentos que seriam necessários em determinados terrenos.

– Fazenda Esperança – a área está a 30Km do centro de Itabira, em estrada de terra e sem transporte público. Isso dificulta o acesso da família do recuperando – um dos elementos fundamentais da metodologia. Além disso, a topografia é ruim e de alto custo de terraplanagem. Destaque-se, ainda, que parte do terreno pertence ao município de Santa Maria de Itabira.

– Área vizinha ao presídio – o terreno é pequeno e o alto custo de sua desapropriação levou o próprio município a desistir da ideia. Além disso, a proximidade com o presídio não é uma boa condição para implantação da APAC. Afinal, uma APAC não é um presídio convencional.

– Área do Borrachudo, antigo Sindicato dos Rodoviários – o terreno tem alta incidência de água, estando ao lado de um curso d’água. Isso demandaria investimentos vultosos somente para a fundação do prédio.

– Área da Cenibra – os pinus plantados estão em fase de maturação. Consultada, a Cenibra informou que só doa terrenos de áreas de compensação ambiental e não áreas plantadas. O terreno é acidentado o que encareceria a terraplanagem. Além disso, está em área de rodovia estadual e, para acessá-lo, seria necessário atravessar uma faixa de domínio do DER (15 metros da margem da estrada). Como está entre duas curvas, precisaríamos ainda fazer uma passagem inferior (viaduto). Tudo isso encareceria a obra e também tornaria impossível prever o prazo de análise pelo DER.