Presidente da AMM: “Estamos agonizando”
Presidente Antônio Júlio de Faria: “Está muito pior do que todos imaginam”
No dia 24 de agosto, mais de 400 prefeituras de Minas Gerais fecharam as portas em protesto contra a queda nos repasses federais e os crescentes gastos que ficam por conta das Administrações Municipais. A reclamação dos prefeitos é de que eles estão cada vez mais com responsabilidades e com cada vez menos dinheiro. Enquanto isso, dizem os chefes de Executivo, Brasília continua com a maior fatia do bolo e segue fechando a torneira, deixando os cofres municipais às mínguas.
Essa situação é analisada com muita preocupação pelo presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Antônio Júlio de Farias, 65 anos. Prefeito de Pará de Minas, ele verifica em sua cidade e em todas as outras do país um momento complicado: de “estrangulamento”.
Segundo o político, se a relação entre municípios, estados e União não passar por séria revisão, a tendência é de que haja um colapso. E as pequenas localidades, que dependem exclusivamente do FPM, serão as mais afetadas. “Está pior do que muita gente imagina”, alerta Antônio Júlio. Formado em Direito pela Universidade de Itaúna e filiado ao PMDB desde que ingressou na vida pública, em 1983, o presidente da AMM toca em um ponto crucial: as práticas políticas precisam ser modificadas.
Segundo ele, da maneira que acontece hoje, os prefeitos estão nas mãos dos deputados, que se alimentam do sistema e ficam cada vez mais fortes. Prefeito de Pará de Minas entre 1983 e 1988, deputado estadual por seis mandatos consecutivos, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) entre 2001 e 2003 e novamente prefeito desde 2012, preside a AMM desde maio deste ano. Antônio Júlio fala a DeFato sobre os problemas enfrentados pelos municípios e outros assuntos relacionados à política.
O que mais tem tirado o sono dos prefeitos hoje?
O que tem tirado o sono dos prefeitos é a diminuição do repasse. Com essa economia sem funcionar, os municípios estão sem receber os repasses. Diminuíram os repasses, enquanto as despesas aumentaram e muito. A gente dá um exemplo de algo que os municípios gastam muito que é com energia elétrica e também combustível. Nós tivemos um aumento de mais de 50% na energia elétrica e 35% no combustível. Isso são só dois exemplos. Fora todo custeio da Prefeitura, que aumentou, no mínimo, com a questão da inflação, 10%. Enquanto a receita diminuiu, em alguns casos, até 18%, 20%. Diminuiu o dinheiro. A situação está difícil.
A entrevista completa pode ser conferida na edição 272 da revista DeFato. Já nas bancas!
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