Procurador da Câmara Municipal pede 30 dias para analisar pedido de impeachment

Denúncias de Bernardo Mucida têm mais de 2,7 mil páginas

Procurador da Câmara Municipal pede 30 dias para analisar pedido de impeachment
A Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal de Itabira pediu um mês para analisar a pilha de documentos apresentados pelo vereador Bernardo Mucida (PSB), solicitando abertura de processo de impeachment do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV). Por causa do pedido de dilatação do prazo, a instauração do processo não foi votada durante a reunião dessa terça-feira, 22 de setembro.
 
“Examinado a denúncia apresentada pelo vereador Bernardo Mucida, verifica-se que a mesma é instruída por volumosos documentos que exigem detalhada análise, sobretudo porque é necessário basear-se em matéria constitucional a fim de evitar a violação da ordem jurídico-política, quando não comprovadamente, razão por que solicito a V. Exa. dilatação do prazo de até 30 dias para concluir os trabalhos”, disse o procurador em ofício direcionado à Presidência do Legislativo.
 
Antes da reunião, Bernardo conversou com o presidente da Câmara, vereador Solimar José da Silva (SD), e também argumentou durante a sessão, solicitando que a denúncia fosse pelo menos lida em plenário. O presidente afirmou que atenderia o pedido da Procuradoria e aguardaria a emissão do parecer. Na opinião de Solimar, os vereadores não podem votar a abertura de um processo de cassação do prefeito sem ter clareza das denúncias.
 
Durante o uso da tribuna, o autor das denúncias voltou a criticar durante o governo e citar contratos feitos entre a Prefeitura e empresas de consultoria. O líder do governo, vereador Rodrigo Diguerê (PV), defendeu a administração de Damon e voltou a frisar que impeachment é julgamento político. Diguerê sugeriu deixar a Justiça apurar as denúncias.  
 
Passo a passo
As denúncias apresentadas por Mucida têm mais de 2,7 mil páginas e foram protocoladas na secretária geral da Câmara na semana passada. Depois que a Procuradoria Jurídica da Câmara emitir seu parecer, os vereadores vão votar a abertura do processo. Caso os vereadores aprovem por maioria dos votos, o processo segue em tramitação. Caso contrário, é arquivado. 
 
Se os vereadores votarem a favor da abertura do processo de impeachment, o presidente da Câmara nomeia uma Comissão Temporária Processante, composta por três vereadores. Em seguida, define um prazo para apuração das denúncias – geralmente entre 60 e 90 dias, período no qual o prefeito tem ampla defesa.
 
Após o período de apuração, a Comissão Temporária Processante emite um parecer conclusivo, com o qual os vereadores votam novamente, desta vez pela cassação do mandato do prefeito. O impeachment só é aprovado com votos favoráveis de 2/3 dos vereadores (12 parlamentares). Caso a cassação seja aprovada, o vice assume.