Proposta de reduzir impostos na folha já é comemorada
A presidente eleita Dilma Rousseff vai recuperar uma velha bandeira do setor produtivo: desonerar a folha de pagamento. A afirmação é do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, um dos assessores mais próximos de Dilma. A medida deve funcionar como uma arma do Brasil na guerra cambial, já que reduz os custos das empresas. A ideia […]
A presidente eleita Dilma Rousseff vai recuperar uma velha bandeira do setor produtivo: desonerar a folha de pagamento. A afirmação é do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, um dos assessores mais próximos de Dilma. A medida deve funcionar como uma arma do Brasil na guerra cambial, já que reduz os custos das empresas. A ideia é reduzir de 20% para 14% o total pago pelas empresas como contribuição previdenciária, além de acabar com os 2,5% do salário-educação.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Olavo Machado Júnior, a redução de impostos "é uma luta constante do setor produtivo. "Uma carga de tributos menor estimula a indústria, principalmente as empresas exportadoras, que estão perdendo competitividade em função da guerra cambial", disse.
A entidade estima que o peso dos encargos sociais nos salários pode chegar a até 105% do valor pago ao trabalhador. "Reduzir impostos reflete diretamente na economia. O IPI menor do carro provou isso", completou.
A desoneração da folha de pagamento é uma das providências que o novo governo planeja para reduzir o famoso custo Brasil. Paulo Bernardo garante que Dilma vai retomar as reformas microeconômicas, medidas pontuais para elevar a produtividade da economia, encabeçadas pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas abandonadas no segundo mandato.
Uma promessa de campanha, a desoneração da folha de pagamento é central na agenda microeconômica de Dilma e já está em estudo no Ministério da Fazenda.
"A Dilma quer avançar na desoneração da folha. Já tem estudos sobre isso na Fazenda. Seria basicamente fazer o que tentamos quando estávamos discutindo a reforma tributária", disse Bernardo. "É uma agenda boa, inclusive por causa da guerra cambial. Uma maneira de se defender é reduzir o custo de produção".
Para o coordenador do Observatório do Trabalho da UFMG, Carlos Rocha, a desoneração de tributos "pode significar mais contratações". Ele, no entanto, acredita que as centrais sindicais continuarão pressionando o governo federal para que aprove o projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais. "A pressão virá independentemente do corte de tributos", completou.
Brasília. A primeira ordem da presidente eleita, Dilma Rousseff, dada à atual equipe econômica – aumentar os investimentos públicos – não parece ser tão fácil de cumprir quando são observados os números do orçamento da União. O governo Lula ampliou os investimentos, sobretudo após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007, mas a verba pública para essas despesas ainda gira na casa de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo Dilma quer, pelo menos, dobrar este percentual em quatro ou cinco anos. Esse é um dos maiores desafios diante do orçamento engessado.
Só as despesas com pessoal, encargos sociais e benefícios previdenciários e assistenciais consomem quase 30% das receitas.
Para 2011, por exemplo, a previsão no orçamento é de R$ 51,4 bilhões para investimentos, ou 1,32% do PIB projetado, de R$ 3,89 trilhões. Esse montante é inferior aos R$ 58,1 bilhões aprovados para este ano. Ou seja, o governo enviou uma proposta com menos recursos para investimentos no ano que vem.
Brasília. A equipe de transição da presidente eleita, Dilma Rousseff, avalia a concessão de um reajuste acima da inflação para os benefícios do Bolsa Família. A reposição de pouco mais de 9% da inflação acumulada desde o último reajuste não seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no país.
Em maio de 2009, quando ocorreu reajuste do Bolsa Família, o benefício passou a variar de R$ 22 a R$ 200. Neste ano, o valor ficou congelado e o projeto do orçamento da União não prevê reajuste. A decisão ficará para a presidente eleita.
Os gastos anuais do programa estão estimados em R$ 13,4 bilhões. O Bolsa Família concede um benefício básico de R$ 68 para famílias com renda per capita até R$ 70.
Lula afirmou em seu programa semanal de rádio que na cúpula realizada na semana passada houve "avanços" em direção ao final da denominada "guerra cambial" e na conveniência de retomar a Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Houve um avanço e a compreensão de que é preciso que haja um maior equilíbrio da política cambial para que nenhum país leve vantagem sobre o outro".
No documento final da cúpula do G-20, os chefes de Estado se comprometeram a evitar as desvalorizações competitivas e a trabalhar para reduzir os desequilíbrios mundiais, mas foram evitadas alusões aos países que bloqueiam a revalorização de suas divisas, como a China.
Lula assegurou que na cúpula houve consenso para retomar as negociações paralisadas em 2008.